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Manhã de terça-feira. A semana estava apenas começando. As pessoas se dirigiam aos seus trabalhos, todas sorridentes como quem espera que o encanto desse dia ensolarado no centro de Curitiba também traga beleza para suas vidas. Toco o interfone e uma voz cansada não demora a atender e autorizar minha entrada. Subo pelo elevador, pequeno demais para minha claustrofobia.
A anfitriã nos recebe em seu apartamento portando apenas uma camisola rosa e de pés descalços. Seu rosto tem traços retos e bem marcados, seus olhos são castanhos. E tudo isso ao natural. Assim como aqueles mesmos trabalhadores que eu acabara de ver nas ruas, ela também havia despertado há pouco.
Quantas vezes a vida nos faz dobrar? Aos 15 anos ela escolheu. Tirou a mochila pesada das costas e decidiu que o mundo a veria como ela mesma sempre se viu. Nascia assim, publicamente, a mulher bem resolvida que é. “Desde que eu me conheço por gente, eu sou assim”, diz enquanto mexe nos cuidados cabelos loiros e longos.
A segurança que tem em si mesma – nítida a qualquer um que sentar para conversar com Karoll – se reflete também em quem está a sua volta, em especial nos seus clientes.
Muitos homens são inseguros e encontram segurança na gente.
Perceptível nos inúmeros pedidos de casamento e flores que recebe todos os anos no dia dos namorados. Mas Karoll sempre mantém a discrição e não procura os clientes, o contato deve partir deles.
O apartamento possui quatro cômodos. O quarto principal tem decoração elegante com um belo lustre ao centro, as paredes são brancas, exceto a parede principal que está coberta com papel de parede de flores, com várias pequenas molduras e o guarda-roupas com espelhos, bem iluminado e com uma imagem do Espírito Santo – símbolo que explicita sua fé e religião – Karoll me conta que é católica e no passado costumava ir à missa todos os fins de semana. É aqui que ela costuma descansar e também receber seus clientes.
Logo ao lado, se contrapondo à organização do quarto principal, está seu espaço particular. Há linhas de todas as cores, caixas empilhadas, peças de roupas por todos os lados. Nesse espaço de aproximadamente 2 m² não há aparências, apenas Karoll e suas máquinas de costura – naquele mesmo dia ela ainda costuraria uma cortina para sua casa.
Há três anos a vida se dobrou novamente diante dos olhos de Karoll. Após 18 anos de casamento, ela decidiu que mudaria tudo. E mudou. Resolveu abandonar sua profissão, então decoradora – o que explica o ambiente impecável de seu atual apartamento, mudou de casa, de bairro e decidiu, acima de tudo, se amar. Deixou para trás o sonho dos tempos que a vida lhe trouxe na primeira mudança, aquele sonho comum, de construir uma família, ter um lar, filhos e um marido. “Hoje eu vivo o eu, meu dia a dia”, diz mostrando-se satisfeita com o estilo de vida que escolheu.
O celular vibra sem parar, mas não faz Karoll desviar sua atenção. Isto parece ligado à liberdade que vive diariamente. Parte de sua diversão é sair para dançar. As baladas sertanejas são suas preferidas, e não vê problema algum em frequentar locais de público majoritariamente hétero.
Sou da opinião de que se alguém tiver que se incomodar, que sejam eles. Meu dinheiro vale tanto quanto o de todo mundo. Eu tenho o direito de estar ali.
Diferente de muitos casos, em especial envolvendo transexuais, Karoll decidiu entrar na prostituição sozinha e consciente. “Foi uma opção, não foi por necessidade. Queria saber como era esse mundo. Eu decidi fazer sabendo de todos os riscos, o que podia e o que não podia”. É realista: “Vivemos em uma sociedade hipócrita. Ela nos julga, mas nos sustenta”, diz com convicção.
Karoll sempre escolheu fazer, não importava o quê. Ela escolheu ser corajosa, mas preferiu não ter rótulos. “Feminista” não é algo com o que se identifique, por mais que seja um exemplo, de carne, osso e experiências, dos ideais do movimento: ela se basta e vive plenamente sua independência.
Foto: Marcio Pimenta
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