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O Instituto Lado a Lado pela Vida destaca-se ao longo dos anos pela campanha de conscientização sobre a saúde masculina, intitulada Novembro Azul. Criado em 2011 como um movimento pioneiro para alertar sobre o câncer de próstata, o Novembro Azul é atualmente a maior ação em prol da saúde do homem no Brasil.
De acordo com Marlene Oliveira, presidente e fundadora do instituto, uma pesquisa realizada pela organização revelou que cerca de 62% dos homens brasileiros só procuram ajuda médica quando a dor se torna insuportável.
Além do Novembro Azul, o instituto promove outras ações voltadas a diferentes doenças e públicos, como problemas cardiovasculares e HPV. Ao todo, são seis campanhas nacionais permanentes para a conscientização sobre doenças graves: Novembro Azul, Siga seu Coração, Mulher por Inteiro, Respire Agosto, Câncer por HPV: O Brasil pode ficar sem, e Eu e Você contra o Câncer.
Em entrevista, Marlene compartilhou detalhes sobre essas campanhas, seu impacto na sociedade e as barreiras culturais ainda existentes para a conscientização sobre a saúde masculina, além dos planos para o futuro do instituto. Confira a entrevista completa:
Nota Social: Quais são as campanhas que o instituto realiza ao longo do ano?
Marlene Oliveira: A primeira campanha lançada pela instituição foi o Novembro Azul, em 2011, para conscientizar os homens acerca da prevenção e diagnóstico precoce do câncer de próstata e também para alertar sobre os cuidados com a saúde do homem. Em 2014, o Instituto Lado a Lado pela Vida lançou a Campanha Siga seu Coração para alertar sobre prevenção, diagnóstico e tratamento das doenças cardiovasculares, a primeira causa de mortes no Brasil e no mundo.
A Campanha Mulher por Inteiro foi lançada em 2017 para tratar sobre os tumores femininos (Câncer de Mama, Ovário, Colo de Útero e Endométrio), sendo que em 2023, introduzimos o tema da Endometriose e em 2024, o tema da Menopausa. Em 2018 foi a vez da Campanha Respire Agosto que tem como foco o câncer de pulmão, para alertar sobre o rastreamento, diagnóstico precoce e tratamento adequado da doença.
Em 2021, em plena pandemia da Covid-19, o Instituto Lado a Lado pela Vida lançou a Campanha Câncer por HPV: O Brasil pode ficar sem, com foco no público adolescente, pais e responsáveis para tratar sobre a importância da imunização contra o vírus do HPV, que causa vários tipos de câncer, entre eles, o de colo de útero na mulher e de pênis no homem. E em 2022, lançamos a Campanha Eu e Você contra o Câncer, que na verdade é mais do que uma campanha, sendo um movimento com foco no paciente oncológico para levar informação e acolhimento para todas as pessoas que enfrentam um câncer.
NS: Como essas ações anuais impactam a sociedade?
MO: O impacto das campanhas para a sociedade é enorme por terem como foco a prevenção de doenças graves como o câncer e as doenças do coração, as duas principais causas de morte no mundo. Hoje, o sistema de saúde enfrenta um número cada vez maior de pacientes chegando em estágio avançado de vários tipos de câncer em um tratamento difícil e desafiador para o paciente e muito custoso para o próprio sistema de saúde. A chave para melhorar esse cenário e trazer mais saúde e qualidade de vida para a população é focar na prevenção e diagnóstico precoce, quando existem muito mais alternativas para o tratamento. As campanhas de conscientização e prevenção somadas a um fortalecimento maior da Atenção Primária podem mudar o cenário da saúde no Brasil.
NS: Como surgiu a ideia de criar o Novembro Azul, e quais foram os primeiros passos para que essa campanha se consolidasse?
MO: A Campanha do Novembro Azul foi lançada após uma análise de um movimento existente fora do país, que consistia em estimular que os homens deixassem o bigode crescer como uma forma de incentivar a prevenção do câncer de próstata. Ao conhecer esse movimento e já tendo no país o Outubro Rosa, que é um movimento internacional, o Instituto Lado a Lado pela Vida decidiu lançar a Campanha Novembro Azul, uma iniciativa nacional para levar informação e orientação para todos os homens, ressaltando a importância da prevenção, dos cuidados e que a saúde também é coisa de homem. Este ano estamos na 13ª edição da Campanha que abrange o Brasil todo, tendo uma excelente participação e engajamento por parte da sociedade e dos diversos públicos. Esse resultado é fruto de um trabalho árduo, diário e permanente ao longo desses anos, que contou com pesquisas realizadas sobre várias temáticas dentro da saúde do homem, interação com a população masculina e feminina em eventos e ações de rua que também trazem muito subsídio sobre as dificuldades que os homens enfrentam para cuidar melhor da sua saúde. Importante também salientar o trabalho realizado no atendimento de pacientes com câncer de próstata, onde por meio da informação, orientamos e acolhemos essas pessoas para tirar dúvidas e compartilhar conhecimento sobre a doença, tratamento e superação.
NS: Na visão de vocês, ainda existem barreiras e estigmas que dificultam a conscientização sobre o câncer de próstata e a saúde masculina em geral? Como o instituto trabalha para superá-los?
MO: A saúde do homem é algo complexo e muitos ainda têm dificuldade para serem protagonistas da própria saúde. Entendemos que, diferente da mulher, que ao nascer já é orientada para o cuidado, o homem sempre fica muito distante dessa realidade. O fato é que o homem não é instrumentalizado para o cuidado, ele não aprende desde pequeno que precisa cuidar da saúde, fazer a prevenção e adotar hábitos saudáveis. Essa realidade, faz com que o homem se distancie dos cuidados com a saúde e o resultado disso, faz com que ele viva em média, sete anos a menos do que as mulheres. O homem resiste em buscar ajuda, somando-se ainda ao fato de que não existe um bom acolhimento para o homem na Atenção Primária, nas Unidades Básicas de Saúde, que acabam tendo mais foco e atenção para as mulheres, crianças e idosos. Nosso trabalho, além de realizar a Campanha Novembro Azul, tem como objetivo focar nas políticas públicas com foco na saúde do homem para debater temas importantes como o rastreamento do câncer de próstata, diagnóstico precoce, ampliação do acesso a melhores tratamentos para os homens que chegam ao sistema de saúde já com o câncer de próstata em estágio avançado, a melhoria do acolhimento na atenção primária, entre outros temas importantes.
NS: Vocês têm percebido mudanças significativas nos últimos anos em termos de conscientização e engajamento dos homens com a própria saúde?
MO: Quando o Instituto Lado a Lado pela Vida começou a trabalhar com a saúde do homem, em 2009, ao realizar as ações de rua, a maioria dos homens não aceitavam pegar nenhum folheto sobre câncer de próstata. O que mais ouvíamos naquela época é que esse assunto não tinha nada a ver com eles. Com o passar dos anos e do trabalho intenso realizado, observamos que pouco a pouco o comportamento dos homens tem mudado lentamente, com uma geração que tem se mostrado mais aberta a ouvir e refletir sobre os cuidados com a saúde. No entanto, ainda há muito receio com a questão dos exames de rastreamento, como o de toque, o medo de descobrir um câncer e ter que enfrentar uma possível incontinência urinária, uma impotência, que podem ser sequelas de um tratamento do câncer de próstata.
NS: Atualmente, quais são os principais desafios que o instituto enfrenta na promoção da saúde masculina e na conscientização sobre o câncer de próstata? Há novos projetos ou campanhas planejadas para o próximo ano?
MO: Os maiores desafios continuam sendo melhorar a saúde do homem brasileiro, seja com uma maior conscientização pela sua saúde, seja pelo acesso que esse homem precisa ao diagnóstico precoce e tratamento adequado. Permanecemos com a Campanha Novembro Azul, por ser uma campanha permanente, mas sempre criamos ações diferenciadas para chamar a atenção dos homens e conseguir com isso, levar a informação mais longe e com maior engajamento. Para 2025 queremos ampliar o alcance de nossa assistente virtual “Lia” para orientar e informar um número maior de homens acerca da saúde. A “Lia” é uma inteligência artificial, lançada em 2023 pelo Instituto Lado a Lado pela Vida, que vem sendo treinada para compartilhar informação sobre saúde do homem de forma rápida e acessível via celular. Trata-se de uma ferramenta muito promissora na luta contra a desinformação e na busca por levar a informação correta cada vez mais longe e para o maior número de homens em várias fases da vida.
Para saber mais sobre a atuação do Instituto Lado a Lado pela Vida, acesse: https://ladoaladopelavida.org.br/.
(Rafaela Eid, do Nota Social)
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