Espetáculo “Batalhas – Entre Lutas e Sonhos” ganha versão em pílula-poética


*Por Ilka Nagamine
O fim do ano costuma abrir espaço para reflexões profundas sobre o país que
desejamos construir. Entre festas, encontros e celebrações, emergem movimentos
poderosos: a solidariedade e o fortalecimento da cultura de doação. Mas esses
gestos não podem se limitar ao calendário; precisam ser entendidos como ações
sociais que, quando praticadas de forma contínua, transformam realidades. É nesse
contexto que o apadrinhamento de crianças ganha relevância especial — não como caridade sazonal, mas como expressão concreta de responsabilidade coletiva.
Na Associação Morumbi de Integração Social (AMIS), trabalhamos diariamente com crianças e adolescentes que enfrentam desigualdades estruturais. A música, a arte e a cultura tornam-se caminhos para autonomia, autoestima e proteção social, mas nada disso se sustenta sem uma rede comprometida com a solidariedade. Por isso, neste ano, ao lado do apadrinhamento de Natal, reforçamos desde já a importância do Dia de Doar 2025 como estratégia essencial para sustentar projetos contínuos.
No caso do apadrinhamento de Natal, ele garante não apenas um presente às
crianças e adolescentes assistidas pelas organizações, mas uma experiência
essencial a esse público que se sente reconhecido, lembrado e valorizado. Muitas
meninas e meninos que atendemos nunca receberam algo escolhido especialmente para elas. Quando isso acontece, não é o objeto que importa: é o significado. É a mensagem que diz “você faz parte”, algo fundamental para qualquer processo de desenvolvimento humano.
Ao longo dos anos, acompanhamos histórias que ilustram como gestos individuais
geram impactos coletivos. A criança que recebe seu primeiro livro; o adolescente
que ganha um instrumento musical que desperta interesse em continuar estudando; a família que, atravessada por privações, encontra no gesto do padrinho ou madrinha uma forma de respiro emocional no formato de uma boneca. Essas narrativas revelam como políticas de cuidado, ainda que informais, ajudam a recompor laços sociais fragilizados.
Contudo, é importante reconhecer que dezembro passa, e a vulnerabilidade
permanece. A cultura de doação precisa sobreviver ao encantamento do Natal. Por
isso, movimentos estruturados como o Dia de Doar têm importância crescente no
Brasil. Em 2025, mais uma vez teremos a oportunidade de fortalecê-la no país,
conectando indivíduos, organizações e empresas a causas que exigem
sustentabilidade de longo prazo. Em organizações como a AMIS, esse movimento
tem impacto direto na continuidade da zona sul de São Paulo através dos projetos
que garantem acesso à arte, ao acompanhamento socioeducativo e à proteção a
centenas de crianças e adolescentes.
Ao convidar as pessoas para apadrinhar uma criança neste Natal ou participar
ativamente do Dia de Doar 2025, não proponho apenas uma ação pontual.
Proponho um reposicionamento ético. A ideia de que todos temos um papel na
construção de um país menos desigual e com mais oportunidades. A de que a
infância precisa ser priorizada não apenas nos discursos, mas nos atos.
Que este dezembro desperte em nós a capacidade de agir para além das
celebrações. Que o apadrinhamento de hoje se transforme em compromisso
contínuo. E que o Dia de Doar 2025 encontre uma sociedade mais consciente de
sua própria potência transformadora. Porque quando uma criança percebe que
alguém acredita nela, não é apenas o futuro dela que muda — é o de todos nós.
*Ilka Nagamine é gestora da Associação Morumbi de Integração Social (AMIS),
artista formada na área da dança e produtora cultural, com pós-graduação em
projetos sociais e políticas públicas.
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