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*Por Lúcia Decot Sdoia
As Organizações da Sociedade Civil seguem exercendo um papel insubstituível no acolhimento e na proteção de pessoas vulnerabilizadas, em diferentes contextos e faixas etárias, de bebês a idosos. Essas iniciativas atuam onde o poder público não consegue chegar sozinho, complementando políticas públicas e garantindo apoio essencial a comunidades e grupos sociais diversos. No caso da Integra, suas organizações associadas desenvolvem projetos nas áreas de cultura, esporte, crianças e adolescentes e idosos, contribuindo para o fortalecimento de diferentes frentes de proteção e desenvolvimento social.
Esse trabalho historicamente dependeu da filantropia, e a doação continuará sendo essencial. Neste período do ano, ganham relevância as destinações do Imposto de Renda para projetos sociais realizados por OSCs e baseados nas leis de incentivo fiscal. Trata-se de um mecanismo legal que permite que empresas e pessoas físicas direcionem parte do imposto devido para iniciativas que atuam diretamente na proteção social, fortalecendo projetos já consolidados e garantindo maior previsibilidade financeira às organizações.
Mas a experiência da Integra, que reúne 95 organizações sociais com diferentes perfis e causas, evidencia um desafio comum: a irregularidade dos recursos compromete a continuidade de projetos que já provaram seu impacto. Iniciativas estruturantes exigem planejamento, equipe qualificada e acompanhamento permanente, algo que não pode depender apenas de ciclos variáveis de captação. Por isso, ganha força a adoção de modelos complementares de financiamento, que unem doação, inclusive de pessoas físicas, parcerias estratégicas e investimento social sustentável. Esse movimento não substitui o propósito, ele o fortalece.
Há um ponto fundamental nessa discussão: empresas que investem de forma consistente em impacto social também experimentam retorno econômico e institucional. Ao apoiar iniciativas estruturadas, por meio de parcerias, investimentos e também doações, tanto corporativas quanto de pessoas físicas, elas fortalecem sua reputação e constroem marcas mais confiáveis, ampliam sua aderência às agendas ESG e reduzem riscos sociais nos territórios onde atuam, o que, na prática, significa operar em ambientes mais estáveis e favoráveis ao desenvolvimento de seus próprios negócios.
Além disso, esse tipo de compromisso aproxima colaboradores, aumenta o engajamento interno e atrai talentos que buscam organizações alinhadas a valores de responsabilidade e futuro sustentável. Em muitos casos, o investimento social cria redes de cooperação que estimulam inovação, fortalecem comunidades e favorecem a circulação de renda, gerando impactos que retornam para a economia local e para a própria empresa que decide fazer parte desse processo”.
O debate, portanto, não é “doação ou investimento”, mas como combinar ambos para garantir sustentabilidade ao terceiro setor e impacto duradouro à sociedade. A vivência coletiva das organizações associadas à Integra mostra que, quando os recursos são contínuos e bem estruturados, o resultado não é apenas social, ele também é econômico.
O próximo passo do setor passa por compreender que cuidar de pessoas é, ao mesmo tempo, compromisso social e investimento no futuro do país, com retorno para todos os envolvidos.
*Lúcia Decot Sdoia, presidente da Integra Campinas e do Instituto Padre Haroldo.
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