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Apesar do aumento das demandas sociais e de desafios estruturais, as organizações da sociedade civil (OSCs) no Brasil demonstram resiliência e otimismo quanto à sua capacidade de atuação. É o que revela o Panorama das ONGs: capítulo Brasil, estudo lançado pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social em parceria com a CAF – Charities Aid Foundation, que integra o World Giving Report e traz uma análise aprofundada do cenário nacional a partir da perspectiva das lideranças do setor.
De acordo com a pesquisa, a sustentabilidade financeira segue como o principal desafio enfrentado pelas OSCs brasileiras, apontado por 66% das organizações participantes. Ainda assim, o estudo destaca sinais claros de fortalecimento institucional, como a diversificação das fontes de receita, a confiança na capacidade de resposta ao aumento da demanda por serviços e o reconhecimento do papel estratégico das ONGs na implementação de políticas públicas.
O relatório identifica seis fatores determinantes para a resiliência das organizações: propósito, saúde financeira e operacional, evidências de impacto, pessoas e cultura, parcerias e contexto. No Brasil, embora dificuldades como atração e retenção de profissionais qualificados e mensuração de impacto ainda persistam, as lideranças demonstram alto grau de confiança no futuro do setor. Entre as organizações que esperam aumento da demanda, 44% se declaram “muito confiantes” de que conseguirão atendê-la — percentual superior à média global.
Para Paula Jancso Fabiani, CEO do IDIS, a capacidade de adaptação será decisiva nos próximos anos. Segundo ela, “são determinantes para o futuro do terceiro setor a capacidade das ONGs de inovar, fortalecer redes colaborativas, influenciar políticas públicas e comunicar claramente seu propósito e impacto”.
O estudo também aponta que, no Brasil, as OSCs contam, em média, com 3,9 fontes de financiamento, com destaque para os doadores individuais, o que reforça a importância do fortalecimento da cultura de doação no país. Ao mesmo tempo, o relatório alerta para os riscos da dependência excessiva de recursos vinculados a projetos específicos e ressalta a necessidade de ampliar o acesso a recursos livres, fundamentais para o desenvolvimento institucional e a sustentabilidade de longo prazo. O crescimento dos fundos patrimoniais aparece como um mecanismo emergente de resiliência financeira.
Outro ponto de atenção destacado é a percepção pública do setor. Embora parte das lideranças reconheça avanços em transparência, comunicação e parcerias, ainda há desafios relacionados à reputação das ONGs, como o baixo reconhecimento público e a associação do setor a narrativas de corrupção. Nesse contexto, o relatório indica a profissionalização da gestão, o uso estratégico da tecnologia e a ampliação da transparência como caminhos para fortalecer a confiança de doadores e parceiros.
A dimensão de pessoas e cultura organizacional também surge como um fator crítico. Dificuldades de recrutamento, retenção de talentos e bem-estar das equipes convivem com uma forte capacidade de aprendizado e adaptação das organizações. Segundo a pesquisa, investir em equipes qualificadas e engajadas é essencial para sustentar a expansão do impacto social.
Em relação ao poder público, o capítulo brasileiro reconhece as OSCs como parceiras relevantes na execução de políticas públicas e na inovação de modelos de atuação social. No entanto, o estudo aponta que ainda há espaço para ampliar a participação das organizações nos processos decisórios e em debates estruturantes para o país.
O Panorama das ONGs: capítulo Brasil integra a pesquisa World Giving Report: Charity Insights, realizada entre março e junho de 2025 por meio de questionário online. Ao todo, participaram 3.115 organizações de 27 países; no Brasil, o levantamento contou com a contribuição de 170 ONGs. O relatório completo está disponível para acesso público.
Acesse aqui o relatório.
(Redação ONG News)
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