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O Carnaval de rua de São Paulo deve registrar, em 2026, um crescimento expressivo do trabalho informal. A estimativa é que o número de vendedores ambulantes ultrapasse 30 mil pessoas atuando direta ou indiretamente na festa, mais que o dobro dos cerca de 15 mil trabalhadores credenciados em 2025, considerando cadastrados e não cadastrados. Paralelamente, os catadores de materiais recicláveis seguem como protagonistas da limpeza urbana, consolidando a logística ambiental como eixo central da economia circular do evento.
Historicamente invisibilizados, ambulantes e catadores sustentam a engrenagem do maior evento popular do país. Embora exerçam funções distintas, desempenham papéis complementares: garantem o abastecimento dos foliões, a limpeza das ruas e a circulação de recursos em larga escala.
O avanço acompanha o impacto econômico do Carnaval paulistano: em 2026, a expectativa é de que 4,7 milhões de pessoas circulem por destinos paulistas durante o feriado, segundo projeções do Centro de Inteligência da Economia do Turismo (CIET). Além disso, deve resultar em uma movimentação financeira direta de R$ 7,3 bilhões.
Enquanto os ambulantes atuam no comércio popular, oferecendo alimentos, bebidas e produtos diretamente ao público, os catadores prestam um serviço ambiental essencial, realizando a coleta, separação e destinação adequada dos resíduos gerados durante a folia.
No Carnaval do ano passado, 524 catadores e catadoras autônomos atuaram nos principais circuitos da cidade (Ibirapuera, Barra Funda, Rio Branco e Faria Lima). Foram coletados mais de 32 mil quilos de materiais recicláveis, o dobro do volume registrado em 2023.
A atividade gerou R$ 706,3 mil em renda ao longo de oito dias, somando a prestação de serviços e a comercialização dos materiais. A renda per capita foi de R$ 848,77 no período, com diária de R$ 106,10, ou seja, 125% superior à diária proporcional do salário mínimo vigente na época.
A relevância social e econômica do trabalho informal é reconhecida por organismos internacionais. “A reciclagem urbana e a economia circular dependem diretamente do trabalho dos catadores de materiais recicláveis. Grandes eventos, como o Carnaval, só funcionam porque esses trabalhadores estão nas ruas. As comunidades também se beneficiam, pois eles evitam que resíduos plásticos e latas contaminem rios, ruas e o litoral”, aponta Sonia Dias, especialista em resíduos e inclusão social da WIEGO.
Para a coordenadora internacional da organização StreetNet International, Oksana Abboud, “a economia urbana depende diretamente do trabalho dos vendedores ambulantes, e esse reconhecimento precisa se traduzir em direitos, proteção social e participação nas decisões públicas”.
Já o presidente da Aliança Internacional de Catadores, Severino Lima Jr, destaca que “defender os direitos dos catadores e catadoras fortalece a economia circular, reduz desigualdades e contribui para cidades mais resilientes”.
Catadores – No Brasil, a luta por reconhecimento desses trabalhadores é histórica. Dados oficiais indicam mais de 281 mil catadores em atividade, número que pode chegar a 800 mil, segundo o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), devido à informalidade e à subnotificação. Eles são responsáveis por cerca de 90% da reciclagem dos resíduos sólidos urbanos no país, gerando uma economia estimada em até US$ 5,5 bilhões por ano, segundo a Aliança Internacional de Catadores. No mundo, entre 15 e 20 milhões de pessoas sobrevivem da coleta de recicláveis.
Ambulantes – No Brasil, o trabalho ambulante envolve cerca de 2,3 milhões de pessoas, o equivalente a 2,7% do total da população ocupada, segundo dados da WIEGO do estudo Ambulantes e comerciantes de mercados em 12 países: um perfil estatístico, de 2024. As mulheres são maioria entre os ambulantes no país, representando 52,7% do total.
Na cidade de São Paulo, esse contingente soma 210,6 mil trabalhadores, o que corresponde a 2,2% do emprego local, evidenciando a relevância econômica e social do comércio ambulante tanto em âmbito nacional quanto no maior centro urbano do país.
“Catadores e ambulantes sustentam grandes eventos da cidade enfrentando condições extremamente adversas. Trabalham sob sol e chuva, carregam mercadorias e materiais pesados por horas seguidas e, muitas vezes, sem acesso a infraestrutura básica, como água e banheiro”, pontua Sonia.
(Assessoria de Imprensa)
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