ONG Indefesos tem sede destruída por árvores durante ventania no RJ


A entrada em vigor da NR1 foi apontada como um divisor de águas para a gestão no terceiro setor durante o painel “ESG e responsabilidade dos gestores: saúde mental e riscos trabalhistas”, realizado no FIFE 2026. Com participação de Rebeca Toyama, porta-voz do ODS 8 do Pacto Global da ONU no Brasil, do advogado especializado em direito empresarial e direito do trabalho Rogério Martir e sob mediação de Rodrigo Alvarez, o debate indicou que a norma desloca a saúde mental do campo subjetivo para o centro da responsabilidade institucional — com implicações diretas na gestão e no risco jurídico das organizações sociais.
Do ponto de vista jurídico, foi destacado que o não cumprimento da norma pode inverter o ônus da prova em ações trabalhistas. Segundo Rogério Matias, na ausência de documentação que comprove a gestão de riscos psicossociais, a Justiça tende a presumir que o adoecimento de um colaborador, por exemplo, ocorreu devido ao seu trabalho na organização. “Se não há cumprimento da NR1, o juiz presume que a doença foi adquirida na sua rotina profissional, e a organização pode ser responsabilizada”, afirmou . A recomendação central foi a produção sistemática de evidências, como inventários de risco, exames admissionais que incluam um diagnóstico de eventuais problemas psicosociais e registros de acompanhamento dos funcionários, capazes de sustentar a defesa da organização em eventuais processos trabalhistas contra a instituição.
Sob a perspectiva da gestão, Rebeca Toyama apontou que a NR1 também revela fragilidades históricas do terceiro setor, especialmente a cultura de trabalho baseada no propósito. Foi observado que, em muitas organizações, há uma sobrecarga naturalizada — em que o compromisso com a causa leva profissionais a ignorarem limites pessoais. “Propósito não substitui gestão”, sintetizou. A tendência, segundo ela, é que a NR1 amplifique esse tensionamento: ao mesmo tempo em que cria uma oportunidade de estruturar melhor o cuidado com as equipes, pode gerar práticas superficiais ou meramente formais, caso seja tratada apenas como exigência burocrática.
O debate também trouxe evidências práticas do avanço do adoecimento mental nas equipes. Foram descritos quadros recorrentes de burnout associados a jornadas prolongadas, acúmulo de funções e múltiplas fontes de renda — realidade comum no setor. A partir desses relatos, foi reforçado que a saúde mental não pode mais ser tratada como questão individual, mas como variável organizacional, com impacto direto na produtividade, no clima institucional e até em indicadores macroeconômicos.
Como encaminhamento, foi defendida a adoção de medidas mínimas viáveis, como a realização de inventários de riscos psicossociais, a definição de responsáveis internos pelo tema e a escuta estruturada das equipes. A gestão de riscos, nesse contexto, foi associada a práticas contínuas de identificação, análise e monitoramento — e não à simples elaboração de documentos para financiadores ou órgãos de controle. A ausência dessas etapas, segundo os debatedores, mantém as organizações expostas tanto ao adoecimento das equipes quanto a passivos trabalhistas crescentes.
Ao final, os participantes aprenderam o quanto o terceiro setor é um ds segmentos mais vulneráveis aos efeitos da NR1. Isso porque as ONGs trabalham com uma forte carga simbólica de que devem cumprir seu propósito a qualquer preço, e isso leva muitas pessoas a ignorarem seus limites emocionais e físicos. Neste sentido, os palestrantes foram unânimes de que a profissionalização das organizações sociais não é apenas uma obrigação legal, mas como condição para sustentabilidade da instituição.
O FIFE 2026 segue até esta sexta-feira (17), com uma programação voltada ao fortalecimento das organizações da sociedade civil. Entre os principais temas estão captação de recursos, comunicação, governança, tecnologia e inteligência artificial, além de aspectos jurídicos, contábeis e de gestão.
O evento conta com o patrocínio de Audisa, Ambev, Banco do Nordeste, Governo do Brasil e Movimento Bem Maior, além do apoio de diversas instituições que contribuem para a realização do maior encontro de filantropia da América Latina.
A próxima edição do FIFE já tem destino definido. Em 2027, será realizado em Gramado, no Rio Grande do Sul. As inscrições já começaram com uma promoção inicial de R$699 por pessoa, para quem estiver presente em Recife nesta semana.
Para outras informações, acesse dialogosocial.com.br/fife26
(Redação ONG News)
ONG Indefesos tem sede destruída por árvores durante ventania no RJ
GEVE lança resultados da Pesquisa Voluntariado no Brasil 2026
Edital Futuro Bem Maior seleciona 33 ONGs de pequeno porte
Workshop debate uso ético de IA no cuidado de pessoas autistas

11 3251-4482
redacao@ongnews.com.br
Rua Manoel da Nóbrega, 354 – cj.32
Bela Vista | São Paulo–SP | CEP 04001-001