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A construção de uma cultura de doação será tema de uma das atrações gratuitas do chamado Pré-FIFE 2026. A proposta da palestra “Para Além da Captação: Promovendo uma Cultura de Doação no Brasil” é demonstrar como as organizações podem fortalecer relações com doadores e garantir sustentabilidade no longo prazo.
A atividade será conduzida pelo Movimento por uma Cultura de Doação (MCD) e parte de um diagnóstico recorrente no setor: a dificuldade de retenção de apoiadores. Dados citados no material do curso indicam que cerca de 80% dos doadores que contribuem pela primeira vez não voltam a doar, enquanto a taxa média de retenção no setor gira abaixo de 50%.
A ideia central do debate será a mudança de foco da captação pontual para a construção de vínculos duradouros, algo favorável à sustentabilidade das organizações na medida que as liberta das técnicas de arrecadação como única fonte de financiamento, e propõe uma mudança cultural envolvendo toda a instituição — da liderança às equipes operacionais.
Nesse contexto, a retenção de doadores é tratada como reflexo direto da cultura organizacional. Organizações que priorizam apenas a aquisição de novos apoiadores tendem a enfrentar maior rotatividade, enquanto aquelas que investem em relacionamento conseguem ampliar fidelidade e estabilidade financeira.
O conteúdo do curso apresenta características comuns a organizações que desenvolvem uma cultura de doação mais consistente. Entre elas, a construção de uma linguagem compartilhada sobre filantropia, a integração entre áreas — como programas, finanças e captação — e a adoção de uma abordagem centrada no doador, tratado como parceiro e não apenas como fonte de recursos.
A programação também deve abordar a necessidade de estruturar sistemas que sustentem essa cultura. Isso inclui o uso de dados para acompanhar o ciclo de vida dos doadores, segmentar públicos e personalizar a comunicação, além da criação de estratégias de relacionamento contínuo.
· Linguagem e valores compartilhados sobre filantropia
· Integração entre áreas da organização
· Abordagem centrada no doador
· Colaboração entre equipes e conselhos
· Uso contínuo de dados para ajustar estratégias
· Monitoramento do ciclo de vida do doador
· Segmentação e personalização de comunicação
· Gestão ativa de relacionamento com apoiadores
· Uso de dados para identificar padrões e riscos
· Comparação com benchmarks de mercado
· Comunicação frequente e intencional
· Relatórios de impacto e prestação de contas
· Convites para participação em atividades
· Compartilhamento de histórias e resultados
Outro ponto destacado na palestra será a importância da gestão de doadores como prática contínua, que vai além de agradecimentos pontuais. A proposta envolve criar uma jornada estruturada de relacionamento, com diferentes pontos de contato ao longo do tempo.
A formação também deve tratar da capacitação interna das equipes. O engajamento em captação e relacionamento com doadores não deve ficar restrito a uma área específica, mas ser incorporado por toda a organização.
A mensuração de resultados aparece como outro eixo central. Além do volume arrecadado, o curso propõe o acompanhamento de indicadores que refletem a qualidade das relações com doadores.
O conteúdo também alerta para erros comuns na implementação de sistemas, como a adoção de soluções tecnológicas sem mudança cultural, a criação de processos excessivamente complexos e a tentativa de implementar múltiplas mudanças simultaneamente.
Sobre o FIFE 2026 — Reealizado entre os dias 14 e 17 de abril, no Recife, o Fórum deve reunir cerca de 2 mil participantes e mais de 100 palestrantes. Considerado o principal evento de gestão do Terceiro Setor no país, reúne organizações e especialistas para discutir estratégias de fortalecimento institucional e ampliação de impacto social.
· Taxa de retenção de doadores
· Valor vitalício do doador
· Engajamento do conselho
· Satisfação dos apoiadores
· Crescimento das contribuições ao longo do tempo
(Redação ONG News)
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