Pesquisa mostra persistência da violência contra crianças no país


Sete em cada dez famílias em situação de vulnerabilidade atendidas pelo Instituto C em 2025 eram compostas por mulheres autodeclaradas pretas ou pardas, segundo levantamento divulgado pela organização. O dado é apresentado no mês em que o Brasil discute os direitos das mulheres negras e evidencia como racismo estrutural, desigualdade de gênero e pobreza se concentram sobre esse grupo.
De acordo com especialistas do Instituto C, o principal obstáculo enfrentado por essas famílias não é a falta de programas de emprego ou empreendedorismo, mas o desconhecimento de direitos básicos já garantidos por lei — como moradia, benefícios sociais, proteção contra a violência e acesso à saúde.
Moradia e proteção
Entre as demandas mais recorrentes está o direito à moradia. Muitas mulheres vítimas de violência doméstica não sabem que a Lei Maria da Penha prevê o auxílio-aluguel como medida preventiva, o que as mantém em situações de risco por falta de orientação.
Filhos em primeiro lugar
Boa parte das famílias procura apoio para garantir atendimento na UBS, acesso ao CRAS, benefícios sociais, educação e documentação das crianças. Nesse processo, as mulheres costumam adiar ou abandonar os próprios direitos — incluindo lazer, cultura e autocuidado —, o que amplia o isolamento social.
Violência sem marcas visíveis
Os atendimentos também revelam casos frequentes de violência psicológica e patrimonial, além da física, que comprometem a autonomia financeira das mulheres e dificultam o rompimento de relações abusivas.
Sobrecarga em famílias atípicas
Mães de crianças com deficiência ou neurodivergentes enfrentam jornadas de cuidado ainda mais intensas, o que reduz suas possibilidades de trabalho, geração de renda e convivência social.
Um ciclo que pode ser rompido
Segundo o Instituto C, a pobreza está imersa em um ciclo que combina fragilidade emocional, sobrecarga de cuidados, desinformação e baixa autoestima. Sem rede de apoio, muitas mulheres chegam exaustas e sem saber como acessar serviços públicos — o que reduz ainda mais o tempo disponível para estudar, trabalhar ou buscar renda.
A organização defende que romper esse ciclo exige acompanhamento de longo prazo, capaz de fortalecer a autoestima e ampliar o acesso à informação e à rede de proteção social. Após esse acompanhamento multidisciplinar, 95% das famílias atendidas pelo Instituto C ampliaram o conhecimento sobre seus direitos e o acesso à rede de proteção social.
Os indicadores da organização também mostram avanços em outras frentes: 42% das famílias aumentaram a renda, com crescimento médio de 105%; 82% avançaram em autonomia; 78% fortaleceram a autoestima; 81% desenvolveram hábitos alimentares mais saudáveis; 87% ampliaram vínculos comunitários; e 66% passaram a participar mais da vida escolar de crianças e adolescentes.
(Redação ONG News)
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