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A BC Marketing, agência de marketing especializada em organizações da sociedade civil, realizou nesta semana um aulão gratuito e ao vivo sobre o uso estratégico das redes sociais por ONGs, institutos e fundações. O encontro, transmitido pelo YouTube, reuniu representantes de organizações de diferentes regiões do país e teve cerca de duas horas de duração.
A condução ficou a cargo de Amanda Rezemberg, diretora executiva da BC Marketing e presidente voluntária do Instituto Nossa Causa, e de Carol Farias, líder de marketing da agência. A dupla abordou desde os principais desafios enfrentados por equipes de comunicação enxutas até o uso de inteligência artificial, passando por dados de comportamento em Instagram, LinkedIn, YouTube e TikTok.
Segundo as organizadoras, os maiores obstáculos relatados pelo público durante a live foram a ausência de equipes de comunicação dedicadas, a dificuldade de manter frequência de publicação e a falta de planejamento estratégico do conteúdo produzido. Para Amanda Rezemberg, o problema raramente é a falta de assunto: “Nenhuma organização da sociedade civil que eu já conheci tem falta do que falar. A dificuldade de fato é colocar isso numa comunicação estratégica que caiba na rotina.”
A programação apresentou pesquisas de mercado para justificar a priorização de canais. Segundo os dados citados, 48% das pessoas descobrem novos produtos pelas redes sociais, à frente de buscadores como o Google (38%) e de lojas físicas (36%). Já a conversão direta em doações pelas próprias plataformas ainda é baixa: apenas 6% dos usuários concluem o pagamento diretamente por elas, migrando na maioria das vezes para o site da organização.
Apesar da relevância desses canais, Amanda Rezemberg fez questão de alertar sobre os limites de depender só deles: “As redes sociais são terreno alugado, que a qualquer hora muda, que a qualquer hora o algoritmo decide implementar uma nova limitação.” Por isso, defendeu, é fundamental que as ONGs mantenham um site próprio e diversifiquem seus canais de comunicação.
Em termos de volume global de usuários, as palestrantes citaram o Instagram como, em sua experiência, a principal rede social entre organizações da sociedade civil no Brasil, com o WhatsApp também em destaque – tema que a BC Marketing pretende tratar em um encontro dedicado no futuro, por ter dinâmica de uso bem diferente das demais redes. Já no recorte específico de tempo de uso diário no Brasil, o Instagram aparece em primeiro lugar, seguido por YouTube (19%), TikTok e Facebook (8%).
O LinkedIn foi apontado como um canal ainda pouco explorado pelo setor, mas com potencial de crescimento orgânico, sobretudo por meio da atuação de lideranças e perfis institucionais interagindo com outros conteúdos, e não apenas publicando. O formato carrossel foi citado como um dos que mais geram alcance e cliques, tanto no LinkedIn quanto no Instagram, segundo exemplos apresentados pelas palestrantes.
Ao comentar por que as organizações devem mostrar seu funcionamento interno e não apenas pedir doações, Amanda Rezemberg foi direta: “Nós temos hoje uma crise de credibilidade no terceiro setor. Nós precisamos mostrar como o nosso trabalho funciona.”
Um dos eixos centrais do encontro foi o uso de inteligência artificial na produção de conteúdo. As palestrantes citaram levantamentos segundo os quais 61% dos usuários do LinkedIn rejeitam publicações feitas por IA por falta de autenticidade, e mencionaram que a própria plataforma passou a permitir que usuários denunciem publicações percebidas como geradas por inteligência artificial. Como alternativa, a BC Marketing recomendou que as organizações alimentem ferramentas de IA com documentos institucionais – como missão, visão, valores e diretrizes de comunicação – para manter a identidade da organização nas respostas geradas.
Diante da demanda manifestada pelo público durante a transmissão, a BC Marketing anunciou que o próximo encontro gratuito será dedicado ao WhatsApp, incluindo mudanças recentes relacionadas à cobrança de mensagens via API pela plataforma.
A BC Marketing mantém um canal de WhatsApp para divulgar atualizações sobre redes sociais voltadas ao terceiro setor, além de perfis no Instagram e no LinkedIn.
Para assistir ao aulão sobre redes sociais para ONGs, acesse aqui.
(Redação ONG News)
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