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O turismo responsável depende da articulação entre diferentes atores e da participação ativa das organizações da sociedade civil nos territórios. Essa foi uma das perspectivas destacadas durante o Fórum Brasileiro do Turismo Responsável, que reuniu representantes de organizações, iniciativas comunitárias e instituições ligadas ao setor para discutir caminhos para um turismo mais conectado às realidades locais.
Para Marianne Costa, do Grupo Vivejar, a sociedade civil organizada tem papel estratégico nas governanças do turismo, contribuindo para aproximar diferentes setores e ampliar as oportunidades nos destinos.
“O turismo não se faz sozinho, ele é coletivo. E nos destinos turísticos é fundamental que a sociedade civil se organize para trazer oportunidades, apoiar o poder público, pautar o poder público e também ser esse elo com a iniciativa privada”, afirma Marianne.
Segundo ela, existe um amplo campo de possibilidades para que organizações da sociedade civil desenvolvam projetos e estabeleçam conexões com áreas como agricultura familiar e produção associada, contribuindo para a construção de destinos cada vez mais responsáveis.
Turismo como ferramenta de transformação social
A atuação articulada entre turismo e sociedade civil também pode contribuir para a geração e a melhor distribuição de recursos nos territórios. Para Roberta Abreu, do Instituto Bancorbrás, o turismo sustentável pode ser entendido como uma ferramenta de desenvolvimento e emancipação de comunidades.
“Quando eu olho para o turismo sustentável, eu olho ele como um meio, uma ferramenta para a gente trazer soluções e emancipação dessas comunidades, desses territórios”, destaca.
Na avaliação de Roberta, fortalecer a economia local significa criar condições para que parte maior dos recursos gerados pelo turismo permaneça nas próprias comunidades, contribuindo para a justiça social e para o fortalecimento dos territórios.
Ela também ressalta a importância da atuação conjunta entre iniciativa privada, poder público, comunidades e sociedade civil organizada. “Todos precisam estar envolvidos”, afirma.
Comunidades como protagonistas
A experiência do Instituto Mamirauá reforça a importância de colocar as comunidades no centro do planejamento e da gestão do turismo. De acordo com Pedro Nassar, que atua no programa de turismo da instituição, o trabalho envolve assessoria técnica e apoio a comunidades tradicionais que desejam desenvolver atividades turísticas.
“Às vezes, pode ser de uma ideia bem básica da comunidade, querer iniciar o turismo, como iniciar, até apoiar em algumas questões e desafios que a comunidade está passando”, explica.
Um dos exemplos citados é o Uakari Lodge, iniciativa pioneira no turismo de base comunitária no Brasil, criada no final dos anos 1990 pelo Instituto Mamirauá em parceria com as comunidades locais.
Para Nassar, um dos princípios fundamentais do turismo de base comunitária é garantir que a própria comunidade seja a principal beneficiária e participe ativamente do planejamento e da gestão da atividade.
Além de gerar oportunidades econômicas, o turismo pode contribuir para a conservação ambiental e fortalecer outras atividades desenvolvidas pelas comunidades. “O turismo acaba ajudando comunidades que trabalham com outras atividades econômicas também”, afirma.
O Uakari Lodge também é sócio-fundador do Coletivo Muda, associação nacional voltada ao turismo responsável.
Associativismo para fortalecer a pauta
A importância da atuação coletiva também é destacada por Tatiana Paixão, do Coletivo Muda. Para ela, o associativismo é uma estratégia para ampliar a força das organizações e fortalecer causas e setores.
“Quanto mais coletivamente você trabalhar, mais forte você está. Então, o associativismo traz isso: o fortalecimento da sua causa, o fortalecimento do seu setor, o fortalecimento da sua pauta”, afirma.
Tatiana reforça que a construção de um turismo responsável exige colaboração e articulação. “Ninguém anda sozinho. O coletivo é onde a gente consegue mais forças para qualquer tema”, resume.
O Coletivo Muda reúne organizações que atuam na construção de um turismo responsável e busca fortalecer tanto iniciativas que já estão inseridas nessa agenda quanto aquelas que desejam se aproximar do tema.
Para Tatiana, essa perspectiva amplia o debate para além do turismo sustentável. “O turismo precisa, sim, não somente [ser] sustentável, mas, sobretudo, responsável”, conclui.
Sobre o Fórum Brasileiro do Turismo Responsável
O Fórum Brasileiro do Turismo Responsável é um espaço de articulação e diálogo entre diferentes atores comprometidos com a construção de um turismo que valorize os territórios, as comunidades, a conservação ambiental, a diversidade e a distribuição mais justa dos benefícios gerados pela atividade.
Depois dos debates realizados nesta edição, o encontro terá uma Edição Amazônia, de 23 a 25 de novembro, em Manaus (AM), e retorna a Brasília (DF), de 2 a 4 de junho de 2027.
(Reportagem por Patricia Marafigo)
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