

Em março, a Artesol, organização referência na valorização do artesanato tradicional brasileiro há mais de 25 anos, lançará o livro inédito “Têxteis do Brasil: Rendas e Bordados”. A obra documenta e celebra a riqueza das técnicas têxteis tradicionais do país, assim como as histórias de suas mestras e artesãs, e é fruto do trabalho colaborativo de uma equipe multidisciplinar que percorreu mais de 10 mil quilômetros em três meses para pesquisar e registrar os significados culturais dessas práticas artesanais. Mais do que uma fonte de renda, elas representam um patrimônio cultural e um meio de expressão artística e afetiva.
Para comemorar o lançamento do livro e aproximar o público das rendeiras e bordadeiras retratadas no título, a Artesol promoverá uma série de atividades gratuitas em São Paulo: no dia 12 de março, a partir das 15h, o coquetel de lançamento contará com sessão de autógrafos e roda de conversa com as artesãs, além de uma feira para comercialização das peças têxteis feitas por elas no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc (CPF Sesc). As atividades se repetem no dia seguinte (13), dessa vez no Instituto Europeo di Design (IED), entre 15h e 20h, também com entrada gratuita. Uma sessão de demonstração das técnicas e o último dia da feira no IED encerram a programação no dia 14 de março, das 14h às 18h.
“Têxteis do Brasil” será lançado pelo valor de R$180, mas durante os eventos, os exemplares estarão disponíveis com o preço especial de R$75. Depois disso, a obra também será vendida em livrarias de todo o país e pelo site da Martins Fontes e das plataformas física e online do projeto Artiz, da Artesol.
Mais do que um registro técnico, a publicação é um instrumento de salvaguarda desse patrimônio e um convite para que as novas gerações possam entrar em contato com as rendas e bordados, considerados itens de destaque no cenário da moda contemporânea – presentes em coleções de marcas como Foz, Catarina Mina, Isaac Silva, Flavia Aranha e Ronaldo Fraga, por meio do olhar e das vivências das artesãs que fazem desse o seu meio de expressão e sustento há gerações.
“São as mulheres as grandes protagonistas aqui. São elas que desempenham o trabalho artesanal, doméstico, de cuidado dos seus filhos, da casa e, em muitas situações, o cultivo do roçado e a criação de animais, tudo ao mesmo tempo. O ofício dessas mães e avós, além de renda, gera pertencimento e potencial criativo, muito influenciado pelos recursos e natureza locais”, comenta a pesquisadora e organizadora do projeto, Helena Kussik.

Sobre a pesquisa
O projeto, cuja ideia surgiu em 2018 dentro da Artesol, levou a equipe formada pelas pesquisadoras Helena Kussik e Bianca Matsusaki, pela fotógrafa Nathália Abdalla e pela ilustradora Camila do Rosário a visitar 14 municípios do Nordeste, onde realizaram entrevistas, levantamentos históricos, registros fotográficos e ilustrações detalhadas dos pontos e técnicas têxteis. Ao todo, estiveram envolvidas 340 artesãs, 17 associações e 15 colaboradoras, fazendo de “Têxteis do Brasil” um dos levantamentos mais abrangentes sobre o tema já realizados em território nacional.
A obra ilustrada, editorada pela Casa Rex, apresenta nove técnicas tradicionais de bordado e renda, sendo cinco delas consideradas patrimônios imateriais, com descrições detalhadas e passo a passo de seus principais pontos. São elas: Bordado Boa Noite (patrimônio imaterial de Alagoas, original da Ilha do Ferro); Bordado Redendê (natural da região de Entremontes/AL); Bordado Filé (patrimônio imaterial de Alagoas típico da região de Marechal Deodoro); Bordado Labirinto (patrimônio imaterial da Paraíba, tradicional do município de Ingá); Renda Singeleza (Paripueira/AL); Renda Renascença (original do Cariri Paraibano, considerado patrimônio imaterial da Paraíba); Renda Irlandesa (patrimônio cultural imaterial brasileiro pelo IPHAN, natural de Divina Pastora/SE); e as Rendas de Bilro do Trairi (CE) e do Cariri (CE).
“Rendas e bordados nos ensinam sobre o tempo, entre agulhas e linhas, encontramos um outro ritmo, onde a presença se torna essencial para expressar narrativas, sentimentos e desafios, transformando-se em metáforas da vida. Essas técnicas nos ensinam sobre a conexão entre as mãos, o coração e a memória. Reconhecendo esse valor, a Artesol acreditou nesse projeto como forma de salvaguarda das técnicas têxteis tradicionais do Brasil, preservando saberes e valorizando tais práticas para garantir que cada fio continue tecendo a cultura e a vida de muitas gerações”, afirma a diretora executiva da Artesol, Josiane Masson.
Sobre as autoras
Helena Kussik é designer e antropóloga, pesquisadora e gestora de projetos no terceiro setor, com foco na valorização dos saberes tradicionais. Idealizadora da Ómana, atua no fortalecimento dos têxteis brasileiros e suas mestras. Desde 2017, atua na Artesol, onde coordena os projetos Rede Nacional do Artesanato Cultural Brasileiro e Têxteis do Brasil. Em 2025, lança seu primeiro livro, “Têxteis do Brasil: Rendas e Bordados”, fruto de uma extensa pesquisa sobre os ofícios tradicionais brasileiros.
Bianca Matsusaki é designer, modelista e pesquisadora com foco em sustentabilidade e têxteis artesanais, possui ampla experiência em modelagem e atua em projetos que conectam design e práticas sustentáveis. Atualmente, é professora no Centro Universitário Senac/SP, onde leciona sobre modelagem e sustentabilidade. Sua pesquisa investiga a relação entre moda, práticas artesanais e impacto ambiental, contribuindo para a valorização dos saberes têxteis tradicionais.
Nathália Abdalla é designer e fotógrafa com experiência em iniciativas socioculturais, produção editorial e comunicação visual. Desde 2018, colabora com organizações como Artesol, WWF, ICMBio, Instituto Centro de Vida (ICV) e Instituto Empodera, unindo direção de arte, fotografia e criação de publicações. Foi editora de arte da Revista Urdume (2019-2022) e cofundadora do Instituto Urdume, voltado à pesquisa e comunicação do ecossistema manual latino-americano. Em 2024, lançou a Ophicina 202, estúdio de design e laboratório gráfico dedicado a projetos autorais e comissionados.
Camila do Rosário é ilustradora e artista visual, com trajetória marcada pela interseção entre moda, artes visuais e ilustração editorial. Natural de Santa Catarina e radicada no Rio de Janeiro, trabalha há mais de quinze anos com ilustração para moda, publicidade e publicações editoriais. Sua pesquisa busca expandir linguagens e técnicas, explorando temas ligados à mulher e sua diversidade. Sua produção combina caneta esferográfica, aquarela e acrílica, criando composições delicadas e expressivas. Além de sua atuação no mercado, participou de exposições individuais e coletivas.
Roda de conversa, sessão de autógrafos e feira
Quando: 12/3, das 15h às 20h
Onde: Sesc Centro de Pesquisa e Formação – Rua Dr. Plínio Barreto, 285, 4º andar – Bela Vista, São Paulo/SP.
Entrada gratuita.
Roda de conversa, sessão de autógrafos e feira
Quando: 13/3, das 15h às 20h
Onde: Instituto Europeo di Design (IED) – Rua Maranhão, 617 – Higienópolis – São Paulo/SP
Entrada gratuita.
Sessão de demonstração das técnicas e feira
Quando: 14/3, das 14h às 18h
Onde: Instituto Europeo di Design (IED) – Rua Maranhão, 617 – Higienópolis – São Paulo/SP
Entrada gratuita.
(Redação Nota Social com informações da Assessoria de Imprensa)
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