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Mulheres com deficiência e/ou neurodivergentes enfrentam mais obstáculos no mercado de trabalho do que homens na mesma condição. É o que revela o recorte de gênero da pesquisa Radar da Inclusão 2025, lançada pela Talento Incluir em parceria com o Pacto Global da ONU – Rede Brasil.
O estudo, apresentado durante a 70ª Comissão sobre a Situação da Mulher (CSW), na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), indica que essas mulheres são as mais impactadas por barreiras estruturais, discriminação e limitações no desenvolvimento profissional. Ao todo, a pesquisa ouviu 1.765 pessoas com deficiência e/ou neurodivergentes em todo o país.
Um dos principais achados diz respeito à acessibilidade, apontada como um fator transversal na trajetória profissional. Entre os entrevistados, 56% afirmam já ter vivenciado situações concretas de exclusão relacionadas à mobilidade ou ao acesso a espaços. Entre as mulheres, esse índice sobe para 60%, evidenciando um impacto mais acentuado.
O levantamento também revela alta incidência de capacitismo no ambiente corporativo. No total, 86% dos participantes relatam já ter sofrido discriminação relacionada à deficiência – percentual que chega a 89% entre as mulheres. Nos processos seletivos, 78% das pessoas entrevistadas enfrentaram dificuldades associadas à deficiência ou neurodivergência.
No recorte de gênero, os dados indicam desigualdades mais intensas. Entre as mulheres, 73% relatam ter recebido propostas de trabalho abaixo da sua qualificação, frente a 68% dos homens. Além disso, 55% apontam despreparo de recrutadores para conduzir processos seletivos acessíveis, número superior ao registrado entre os homens (49%).
As disparidades se mantêm mesmo após a inserção no mercado de trabalho. Entre as pessoas ocupadas, duas em cada três nunca foram promovidas. No caso das mulheres, 70% afirmam não ter recebido nenhuma promoção, contra 63% dos homens.
O estudo destaca ainda o papel da produção de dados na formulação de políticas públicas e estratégias corporativas mais inclusivas. Ao levar os resultados para um dos principais fóruns globais sobre igualdade de gênero, a iniciativa busca ampliar o debate e pressionar por mudanças que promovam ambientes de trabalho mais acessíveis e equitativos.
(Redação ONG News)
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