Workshop em Salvador discute futuro dos  jumentos no Brasil

ONG News
27 de abril de 2026
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A recente decisão da Justiça Federal que proibiu o abate de jumentos no Brasil demanda o debate sobre o destino e o uso sustentável desses animais no país. Nesse cenário, especialistas brasileiros e internacionais se reúnem em Salvador, entre os dias 6 e 8 de maio de 2026, para discutir caminhos viáveis no IV Workshop Internacional “Jumentos do Brasil: Futuro sustentável”.

O encontro será realizado na Assembleia Legislativa da Bahia e deve reunir pesquisadores de instituições como Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade Federal do Alagoas (UFAL), Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Universidade de São Paulo (USP), além de representantes de organizações da sociedade civil, como The Donkey Sanctuary e Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, autoridades públicas, produtores e estudantes. O foco está na construção de alternativas sustentáveis para os jumentos com o abate agora proibido.

A programação dos dois primeiros dias inclui discussões sobre saúde única, conservação, biotecnologia, economia e comércio global, com ênfase em soluções aplicáveis ao contexto brasileiro. Sendo assim, contará com palestras e três plenárias temáticas: “Economia, Saúde Única e Ecossistemas: o verdadeiro custo do abate de jumentos”; “Agricultura Celular: inovação biotecnológica ética, sustentável e segura”; e “Jumentos no comércio global: dinâmicas, desafios e respostas internacionais”.

Estarão em pauta, por exemplo, inovações biotecnológicas capazes de substituir o uso de peles na produção de ejiao, como a criação de colágeno por fermentação de precisão realizada pela UFPR com a coordenação da Dra. Carla Molento, palestrante no evento e responsável pelo Laboratório de Bem-Estar Animal da universidade, além dos impactos sanitários e ambientais associados ao mercado de exportação de peles de jumentos.

Representantes internacionais da The Donkey Sanctuary, Emily Reeves e Janneke Merkx, apresentarão pesquisas inésidtas sobre a China, além de fornecer uma análise aprofundada do comércio global de peles e suas ligações com o crime organizado e o tráfico de animais silvestres.

No terceiro dia, os participantes visitarão a Fazenda Manoino, no interior da Bahia, onde vivem animais resgatados em operação do Ministério Público da Bahia em 2019, na cidade de Canudos. O evento será encerrado com a elaboração de um documento com recomendações para políticas públicas e estratégias de longo prazo.

“A discussão agora precisa avançar para soluções concretas. Por muito tempo, a pergunta foi o que fazer com os jumentos sem o abate. Hoje, a ciência já apresenta caminhos sustentáveis, éticos e economicamente viáveis”, afirma Patricia Tatemoto, doutora em Ciências pela USP e coordenadora de campanhas da The Donkey Sanctuary.

Urgência do debate – Dados divulgados por pesquisadores em 2025 apontam uma queda de 94% na população de jumentos no Brasil entre 1996 e 2024, segundo FAO, IBGE e Agrostat. Embora a decisão da 1ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária Da Bahia (SJBA), em 13 de abril, tenha determinado o fim do abate no país, especialistas avaliam que o tema ainda precisa avançar no Congresso Nacional para consolidar uma proibição definitiva. Nesse cenário, o debate científico ganha protagonismo. “Se o avanço científico for acompanhado pelo arcabouço legal, o Brasil pode liderar o fim desse comércio indefensável”, afirma Patricia.

As peles dos jumentos abatidos são destinadas principalmente à China, onde são utilizadas na extração de colágeno para a fabricação do ejiao, produto da medicina tradicional chinesa que promete, por exemplo, vigor sexual e rejuvenescimento, sem comprovação científica de eficácia. 

Segundo a The Donkey Sanctuary, atualmente a demanda anual por peles de jumentos na China é de 5,9 milhões. Projeções da organização indicam que esse número pode chegar a, no mínimo, 6,8 milhões até 2027, para sustentar a produção de ejiao no país. Com a redução drástica da população de jumentos em seu território, a China passou a importar peles de outras nações, incluindo o Brasil.

Para realizar a inscrição e conferir a programação completa, acesse o site oficial do evento IV Workshop Internacional “Jumentos do Brasil: Futuro sustentável” aqui.

(Assessoria de Imprensa)

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