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Um estudo no Brasil desenvolvido pela FUNASPH (Fundação de Assistência à Pessoa Humana), em Campo Grande (MS), busca entender como prevenir que adolescentes autores de abuso sexual voltem a cometer violência contra outras vítimas. A pesquisa acompanha jovens entre 14 e 18 anos que cumprem medidas socioeducativas e já apresentaram histórico de atos infracionais relacionados ao abuso sexual.
O trabalho começou há cerca de um ano e acontece paralelamente ao Projeto Nova, iniciativa da organização voltada ao atendimento gratuito de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual.
A psicóloga Viviane Vaz, coordenadora da pesquisa, explica que a ideia surgiu a partir de uma inquietação antiga da equipe que acompanha vítimas há mais de uma década. “A pergunta que sempre fica é como impedir que esse adolescente faça isso novamente e provoque novas vítimas”, resume.
A pesquisa reúne profissionais de diferentes áreas, como psiquiatria, psicologia, assistência social e neuropsicologia. O objetivo não é apenas analisar o comportamento dos adolescentes, mas também compreender os contextos familiares e sociais em que eles cresceram.
Segundo a coordenadora, todos os jovens acompanhados têm histórico de violência, incluindo abuso sexual sofrido na infância. “Muitos estão reproduzindo violências que viveram”, afirma.
A proposta do estudo é justamente tentar interromper esse ciclo antes da vida adulta. Diferentemente de iniciativas realizadas em outros estados com adultos condenados por crimes sexuais, a pesquisa da FUNASPH não utiliza tratamento hormonal ou qualquer método de castração química.
“Eles ainda estão na puberdade. Seria antiético”, pontua Viviane. O acompanhamento, segundo ela, envolve escuta psicológica, suporte psiquiátrico e atendimento às famílias, especialmente às mães dos adolescentes.
A ideia da pesquisa surgiu após conversas com a juíza da Vara da Infância e da Juventude de Campo Grande, Katy Braun do Prado, diante do aumento de casos envolvendo adolescentes infratores na capital sul-mato-grossense.
Antes de iniciar o projeto, a FUNASPH buscou informações junto ao Ministério da Saúde e afirma não ter encontrado pesquisas semelhantes voltadas especificamente para adolescentes no país.
Hoje, o estudo é mantido com doações da sociedade civil e recursos arrecadados em bazares organizados pela entidade. A ONG também busca apoio da Central de Penas Alternativas do Poder Judiciário para ampliar o financiamento da iniciativa.
Mesmo com as limitações financeiras, a equipe afirma que pretende seguir com o acompanhamento dos adolescentes e publicar os primeiros resultados em um material científico nos próximos meses.
Além da pesquisa, a FUNASPH continua oferecendo atendimento gratuito a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual em Campo Grande, por meio do Projeto Nova.
Para mais informações, o telefone para contato é (67) 3324-4200.
(Redação ONG News)
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