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*Por Marcelo Estraviz
Não existe ONG boa com conselho ruim
Muitas vezes, a governança no terceiro setor é tratada como um “mal necessário” ou um mero rito burocrático para cumprir exigências de editais e estatutos. Mas, após décadas acompanhando o ecossistema de impacto, cheguei a uma conclusão definitiva: o sucesso, a escala e a longevidade de qualquer iniciativa social dependem diretamente da robustez de sua governança.
Infelizmente, a realidade de muitas ONGs é o que eu chamo de ilusão da governança. Elas possuem o conselho no papel, mas ele não funciona na prática. São grupos distantes, que aparecem apenas para assinar atas e cumprir formalidades rituais uma ou duas vezes por ano. O problema raramente é a falta de estrutura jurídica, mas sim o que fazemos — ou deixamos de fazer — com as pessoas que ocupam essas cadeiras.
Para mudar esse cenário, precisamos encarar que o gargalo das nossas organizações é humano, não técnico. O regulamento pode ser perfeito, mas se as relações falham, a estratégia morre. Precisamos falar abertamente sobre quatro verdades que travam o setor:
Quando perguntamos a um gestor o que ele espera de seu conselho, a resposta é quase um desabafo. Busca-se o conselheiro acelerador, aquele que vai além da fiscalização burocrática e se torna um parceiro de jornada.
Espera-se que esse grupo aponte a direção e visão de futuro. Enquanto o gestor está mergulhado no “incêndio” do dia a dia, o conselho deve estar na torre de comando, enxergando o que virá nos próximos cinco anos. Busca-se também a segurança técnica e ética; o respaldo para decisões de alto risco que nenhum gestor deveria tomar sozinho.
E, claro, há a expectativa do networking e captação. Um conselho forte não dá apenas dinheiro; ele abre portas, valida a instituição perante o mercado e transforma contatos frios em recursos sólidos e parcerias de longo prazo.
Para que essa potência seja liberada e o impacto social seja real, precisamos profissionalizar a relação entre quem executa a missão e quem guarda a estratégia. É sobre criar uma cultura onde a confiança e a cobrança caminham juntas.
Marcelo Estraviz é sócio da Certificadora Social, fundador e ex-presidente da ABCR, Marcelo criou o Selo Doar e o Prêmio Melhores ONGs. Com trajetória internacional — lançou o Dia de Doar no Brasil e lidera o Día de Donar na Espanha — já formou e mentorou milhares de líderes. O foco atual: Fortalecimento de conselhos e mentoria da dupla estratégica conselheiro-gestor.
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