Pesquisa aponta contradição entre discurso e prática na criação de crianças no Brasil

ONG News
18 de julho de 2026
  • Especiais
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A maior parte da população brasileira acredita que o diálogo é o melhor caminho para educar crianças, mas, na prática, continua recorrendo a gritos, tapas e agressões físicas. É o que revela uma pesquisa da Quaest, encomendada pelo Instituto Infinis, que ouviu 2.202 brasileiros maiores de idade entre maio e junho deste ano.

De acordo com o levantamento, nove em cada dez entrevistados defendem o diálogo como forma de corrigir comportamentos infantis. No entanto, 62% admitiram já ter gritado com uma criança, 49% relataram ter dado tapas e 27% reconheceram ter usado objetos para agredir. O estudo não se aprofundou nas razões dessa contradição entre discurso e conduta, como possível influência do estresse cotidiano ou do uso de substâncias.

Uma melhora lenta desde 2023

Esta é a segunda edição da pesquisa Atitudes e percepções sobre a infância e violência contra crianças e adolescentes. Em 2023, os números eram ainda mais altos: 93% defendiam o diálogo, mas 66% já haviam gritado com uma criança, 52% já tinham dado tapas e 38% admitiam ter usado objetos. Ao comparar as duas edições, os pesquisadores notam uma redução nas agressões consideradas mais graves – as feitas com objetos, mesmo que os comportamentos violentos em geral permaneçam frequentes.

Silêncio diante da violência

O estudo também investigou como as pessoas reagem ao presenciar cenas de agressão contra crianças. A maioria, 62%, disse que não interfere. Metade desse grupo justifica a omissão por considerar o episódio um assunto privado da família; os demais alegam medo da reação de quem comete a violência.

Trabalho infantil e desconhecimento das leis

O levantamento revela ainda uma visão ambígua sobre trabalho na infância e adolescência. Embora 93% dos entrevistados afirmem que os estudos devem ser prioridade, 61% consideram aceitável que crianças trabalhem, e a maioria vê como legítimo que adolescentes o façam, seja por vontade própria, seja por determinação dos pais. Outro dado chama atenção: 71% dos entrevistados não souberam citar nenhuma lei de proteção à infância, mesmo diante de debates públicos recentes sobre o tema.

Para a diretora executiva do Instituto Infinis, Márcia Kalvon, compreender essas percepções é essencial para romper o ciclo de violência que se repete entre gerações e para orientar políticas públicas de prevenção mais eficazes.

Segundo os pesquisadores, a violência contra crianças tende a se perpetuar ao longo do tempo, sendo reproduzida com mais frequência por quem já viveu situações semelhantes na própria infância.

A versão completa do estudo será apresentada em setembro, durante o 8º Fórum de Políticas Públicas da Saúde na Infância (FPPSI), promovido pelo Instituto Infinis.

(Redação ONG News)

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