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O FSC Brasil defende que o futuro da Amazônia passa por um modelo econômico que mantenha a floresta em pé enquanto gera renda para quem vive nela. Em celebração ao Dia da Amazônia, a organização aponta a promoção da sociobiodiversidade, a valorização dos serviços ecossistêmicos e parcerias estratégicas como caminhos para destravar o potencial da região.
Uma dessas parcerias foi firmada entre o FSC Brasil e o Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema). O Memorando de Entendimento, assinado durante a Reunião Anual da GCF Task Force, prevê diagnósticos, capacitações e a implementação de metodologias para valoração de serviços ecossistêmicos em Unidades de Conservação estaduais, como regulação do clima e proteção dos recursos hídricos.
“O modelo de certificação prova que a conservação pode – e deve – ir além da madeira. Iniciativas de manejo sustentável para produtos não madeireiros e até mesmo para o turismo, por exemplo, demonstram que é possível gerar valor econômico respeitando as particularidades da região”, afirma Elson Fernandes de Lima, diretor executivo do FSC Brasil.
O FSC Brasil também firmou, durante sua última Assembleia Geral, em agosto, uma carta de intenções com o Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) para fortalecer o manejo florestal comunitário e familiar, com foco em qualificação de empreendimentos locais e incidência institucional junto a governos e sociedade civil.
Resultados no chão da floresta
Atualmente, mais de 3,2 milhões de hectares são certificados pelo FSC em estados da região amazônica, como Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia e Mato Grosso.
Um exemplo é a Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uatumã, certificada em 2022 após um trabalho iniciado pelo Idesam em 2006. Com 44 mil hectares de área de produção, a comunidade produz óleos essenciais vegetais e objetos de madeira em uma miniusina movida a painéis fotovoltaicos, gerando cerca de 60 litros de óleo por ano e faturamento superior a R$ 100 mil.
“Floresta para gente é tudo”, resume Vidinha Cavalcante, liderança comunitária de Uatumã. Segundo ela, a certificação FSC dá dignidade ao trabalho da comunidade e reforça o valor da floresta: “A certificação nos incentiva a valorizar as vidas, faz com que a gente pense na floresta com um alto valor”.
Três dimensões de impacto
O FSC Brasil resume o modelo de manejo certificado em três frentes: geração de renda a partir do beneficiamento local de produtos como óleos, castanhas e madeira manejada, além de novos vetores como o ecoturismo; fixação territorial, com oportunidades de trabalho que reduzem o êxodo rural e fortalecem a governança local; e manutenção de serviços ecossistêmicos como o equilíbrio hídrico, a biodiversidade e a estocagem de carbono.
Para a organização, o sucesso desses produtos não deve ser medido apenas por escala ou faturamento, mas pela capacidade de garantir qualidade de vida às populações tradicionais e proteção contra desmatamento, grilagem e garimpo ilegal.
(Redação ONG News)
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