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“Os gestores do Terceiro Setor que definem como estratégia implantar inteligência artificial estão equivocados. Ela deve ser utilizada como uma ferramenta e não como objetivo fim”. A conclusão é de Daniel Antunes, fundador da capta|RCK, um dos palestrantes do Festival ABCR, que acontece nos dias 3 e 4 de setembro, no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo.
A preocupação com a aplicação da IA no Terceiro Setor ganhou relevância nesta edição, que conta com personalidades nacionais e internacionais, em mais de 80 atividades, entre palestras, painéis, estudos de caso e debates distribuídos em nove palcos simultâneos. Na plateia, profissionais de organizações da sociedade civil (OSCs), fundações, institutos, empresas, consultorias e especialistas nacionais e internacionais.
Outros temas como o financiamento dos custos estruturais das organizações, os impactos da Reforma Tributária sobre as doações, tendências da captação internacional e os desafios para fortalecer a profissão de captador de recursos no Brasil também foram debatidos.
IA como ferramenta
No painel “A IA substituiu o CRM? Sim, não e depende: arquitetura moderna para captação” , o consultor Daniel Antunes, que possui 20 anos de experiência na área, fez uma reflexão sobre em que momentos podemos usar as novas tecnologias sem perder a confiabilidade. “Antes de se decidir qual IA adotar, é preciso pensar a estratégia, quais são os públicos a serem atingidos, os canais e caminhos a seguir no processo. Ela pode ser uma ferramenta importante para algumas dessas fases, mas não a solução fim”.
Um erro comum de gestores do Terceiro Setor é tentar criar protótipos de projetos de captação a partir da IA. “Quando a solução é aplicada no mundo real, envolvendo transações financeiras, acaba não sendo viável”, alerta. Para Antunes, é preciso criar confiabilidade na operação, com o acompanhamento humano de todas as fases e ajuda de ferramentas, como sistemas de gestão de dados (CRM, por exemplo), que ainda conseguem realizar todas as etapas da captação com estabilidade.
Porém, existem casos em que a nova tecnologia é bem-vinda, como na interpretação de linguagem e áudios, retratando a jornada da captação com aquele doador ou parceiro, e para análise preditiva, quando a OSC precisa lidar com grande quantidade de informações advindas de centenas ou milhares de doadores.
No palco dedicado a IA e Dados, foram discutidos ainda assuntos como modelos preditivos para retenção de apoiadores, aplicação da IA na elaboração de propostas de patrocínio, telefundraising, análise de dados e os desafios da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) para OSCs.
(Por Rubiana Peixoto, especial para o ONG News)
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