Pesquisa aponta barreiras de idade em organizações brasileiras


Oito em cada dez brasileiros consideram crianças e adolescentes muito vulneráveis a crimes e violências na internet, segundo pesquisa realizada pelo Infinis – Instituto Futuro é Infância Saudável em parceria com a Quaest. O percentual chega a 93% no Centro-Oeste e 92% no Sudeste, enquanto no Nordeste é de 88%, no Sul, 86%, e no Norte, 82%.
O levantamento ouviu 2.202 brasileiros com 18 anos ou mais, em 128 municípios, entre 29 de maio e 7 de junho de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Além da percepção de vulnerabilidade, a pesquisa identificou situações de violência que já fazem parte da experiência de crianças e adolescentes conhecidos pelos entrevistados. Um em cada três brasileiros (33%) afirma conhecer alguma criança ou adolescente que já foi humilhado, xingado, sofreu bullying ou passou por constrangimento social na internet. No Sudeste, o índice chega a 38%.
Outros episódios também aparecem no levantamento. 25% dizem conhecer crianças ou adolescentes que receberam mensagens de conteúdo sexual, enquanto 20% relatam conhecer alguém que recebeu convites para encontros presenciais com desconhecidos. A divulgação de informações pessoais para intimidar ou perseguir foi mencionada por 18%, e 10% afirmam conhecer crianças ou adolescentes que tiveram imagens falsas e constrangedoras criadas por inteligência artificial.
A percepção de que crianças e adolescentes precisam ser acompanhados no ambiente digital é ampla. 96% dos brasileiros consideram que pais ou responsáveis devem supervisionar o conteúdo acessado por crianças e adolescentes na internet.
Na prática, porém, o acompanhamento varia de acordo com a idade. Entre crianças de 0 a 5 anos que acessam a internet, 94% têm o uso acompanhado. O percentual cai para 68% entre adolescentes de 15 a 17 anos.
Quando questionados sobre medidas de proteção, 56% defendem o bloqueio de conteúdos perigosos nas redes sociais para crianças de até 11 anos. Observar contas e conversas é citado por 49%, enquanto 46% defendem limitar o tempo de uso das redes.
Entre adolescentes de 12 a 17 anos, o bloqueio de conteúdos perigosos aparece novamente como a medida mais citada, com 49%. Orientação para o uso seguro, monitoramento de contas e limite de tempo são mencionados por 44% dos entrevistados.
Para Felipe Nunes, sócio-fundador da Quaest, os resultados mostram a preocupação da população com a exposição de crianças e adolescentes no ambiente digital.
“A pesquisa traz à luz a grande preocupação que os brasileiros têm em relação ao uso da internet por crianças e adolescentes, e aponta quais caminhos a população acredita que podem reduzir a vulnerabilidade dos jovens, como bloqueio de conteúdos perigosos e maior orientação para o uso seguro”, afirma.
A percepção de vulnerabilidade também aparece no ambiente escolar. 73% dos brasileiros consideram as escolas pouco ou nada seguras para crianças e adolescentes, enquanto 26% avaliam os espaços como seguros. O índice de insegurança chega a 76% no Sudeste, seguido por 73% no Norte, 72% no Centro-Oeste, 70% no Nordeste e 66% no Sul.
Entre aqueles que consideram as escolas pouco ou nada seguras, 70% apontam a violência entre os próprios alunos como um dos motivos. Outros 18% mencionam tanto a violência entre estudantes quanto aquela praticada por professores ou outros profissionais, enquanto 8% citam apenas a violência praticada por profissionais contra estudantes.
A violência entre alunos aparece como uma preocupação em todas as regiões: 79% no Norte, 77% no Centro-Oeste, 71% no Nordeste, 70% no Sudeste e 61% no Sul.
Para tornar as escolas mais seguras, 46% dos brasileiros defendem medidas voltadas à capacidade de escolas e famílias reconhecerem e acompanharem situações de violência. Dentro desse grupo, 23% apontam maior participação das famílias e outros 23% defendem professores preparados para identificar esses casos.
A pesquisa também investigou a confiança da população nas instituições e profissionais que fazem parte da rede de proteção de crianças e adolescentes.
Psicólogos e aconselhamentos aparecem com o maior percentual de entrevistados que afirmam confiar muito, com 60%, seguidos pela polícia, com 49%, e pelo Conselho Tutelar, com 46%. Assistentes sociais e CRAS aparecem com 42%, enquanto UBS, hospitais e clínicas registram 40%.
Entre as instituições avaliadas, a escola apresenta um dos menores índices: apenas 30% dizem confiar muito nas instituições de ensino, enquanto 55% afirmam confiar pouco e 14% não confiam.
Para Márcia Kalvon, diretora-executiva do Infinis, os dados reforçam a necessidade de atenção aos riscos enfrentados por crianças e adolescentes no ambiente digital.
“Os dados mostram que os riscos no ambiente digital são percebidos pela população e também aparecem em situações concretas vivenciadas por crianças e adolescentes. Nesse sentido, a sanção do ECA Digital representa um avanço importante diante dos desafios trazidos pela exposição cada vez mais precoce e intensa às telas e redes sociais”, afirma.
Os resultados fazem parte da segunda etapa de divulgação da pesquisa “Atitudes e percepções sobre a infância e violência contra crianças e adolescentes no Brasil”. A primeira etapa, divulgada em julho, abordou práticas de educação e cuidado, naturalização da violência, trabalho infantil, direitos e mecanismos de proteção à infância.
Os novos dados serão apresentados nesta quarta-feira (30), durante o 8º Fórum de Políticas Públicas da Saúde na Infância (FPPSI), promovido pelo Infinis, no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo. O evento terá como tema central a prevenção às violências contra crianças e adolescentes.
(Redação ONG News)
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