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Nenhum município brasileiro oferece atualmente condições adequadas de vida para as mulheres, segundo o Índice Municipal de Gênero (IMG), desenvolvido pela Tewá 225. O levantamento, que avaliou os 5.570 municípios do país, alcançou média nacional de 50,60 pontos em uma escala de zero a 100. Nenhuma cidade ultrapassou os 70 pontos, faixa considerada de alto desempenho pelo índice.
O resultado mostra que os avanços registrados em áreas como educação, renda e desenvolvimento humano ainda não se traduzem, na mesma proporção, em condições favoráveis para as mulheres nos territórios. Entre os principais problemas identificados estão a baixa participação política, o acesso à saúde e as condições de trabalho e renda.
A participação política foi a dimensão com pior desempenho no país, com média de 29,59 pontos. Em 68,70% dos municípios não existe Conselho Municipal dos Direitos da Mulher. O levantamento também identificou 726 cidades que não elegeram nenhuma vereadora e 526 municípios que não possuem conselho e também não elegeram mulheres para as Câmaras Municipais.
A saúde aparece logo depois, com média nacional de 30,42 pontos. Apenas 24,74% das gestantes realizaram seis ou mais consultas de pré-natal e, em 614 municípios, não houve registro de gestantes que tenham alcançado esse número de consultas. Na prevenção ao câncer do colo do útero, a cobertura média municipal do exame de Papanicolau foi de 36,14%, com diferenças que vão de 2% a 93% entre as cidades.
Com média de 40,41 pontos, a dimensão de trabalho e renda revela dificuldades para a inserção e permanência das mulheres no mercado de trabalho. A taxa média de ocupação feminina nos municípios brasileiros é de 39,48%.
O acesso a creches aparece entre os fatores relacionados a esse cenário. Segundo o levantamento, os municípios com maior cobertura de creches, de 18,4%, apresentam também uma pontuação mais alta na taxa de ocupação feminina, que chega a 66,26 pontos.
A educação registrou média nacional de 45,19 pontos. O índice identifica ainda uma relação entre escolaridade e trabalho: municípios com melhores indicadores de formação básica também apresentam maior participação das mulheres no mercado de trabalho.
O recorte racial e territorial também evidencia desigualdades. Dos 106 municípios que ficaram abaixo de 40 pontos no IMG, 64,15% estão na região Norte. Nessas localidades, a população é formada, em média, por 70,32% de pessoas negras e 11,05% de indígenas.
O levantamento mostra ainda que o desempenho não depende apenas da região onde o município está localizado. Pernambuco, por exemplo, aparece entre os estados com maior proporção de municípios acima da média nacional: 79,46% das cidades pernambucanas superam os 50,60 pontos do IMG. No extremo oposto, Roraima é o único estado em que nenhum município alcança a média brasileira.
As capitais também não são necessariamente as cidades que oferecem melhores condições para as mulheres. Em apenas cinco estados, a capital aparece como o município mais bem pontuado no índice. Em São Paulo, por exemplo, 34 municípios apresentam resultado superior ao da capital. No Rio Grande do Sul, Porto Alegre é superada por 54 cidades.
A segurança foi a dimensão com maior pontuação no IMG, com média de 91,88 pontos. O resultado, porém, precisa ser analisado com cautela, já que a ausência de registros de violência pode estar relacionada à subnotificação.
O levantamento aponta que 1.480 municípios, ou 27% das cidades brasileiras, não registraram nenhum feminicídio no período analisado. Também não houve registros de estupro em 591 municípios e de violência doméstica em 84 cidades.
Para a pesquisa, esses números não podem ser interpretados automaticamente como sinal de maior segurança. A falta de registros pode estar relacionada a dificuldades de acesso aos serviços, limitações das redes de acolhimento e problemas na notificação dos casos.
A comparação com o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) evidencia outra diferença apontada pelo levantamento. Em 2024, o Brasil alcançou 0,805 no IDHM, equivalente a 80,5 pontos em uma escala de 100. Entre as mulheres, o índice chegou a 0,798. Já a média nacional do IMG ficou em 50,60 pontos.
Para a Tewá 225, a diferença indica que indicadores gerais de desenvolvimento não necessariamente refletem as condições enfrentadas pelas mulheres nos municípios, especialmente em áreas como participação econômica, representação política e acesso a oportunidades.
O IMG foi construído a partir de 17 indicadores distribuídos em sete dimensões: saúde, educação, trabalho e renda, participação política, segurança, proteção social e infraestrutura e mobilidade. A metodologia utilizou bases públicas como o Censo Demográfico 2022, RAIS 2024, registros eleitorais de 2024, dados dos sistemas de saúde de 2024 e 2025, registros de violência de 2021 a 2025 e informações do Bolsa Família.
O município mais bem colocado no ranking foi Águas de São Pedro (SP), com 67,06 pontos. Na outra ponta, Uiramutã (RR) registrou 28,14. Mesmo o primeiro colocado, no entanto, ficou abaixo dos 70 pontos estabelecidos pelo estudo como referência para um desempenho alto.
Os resultados reforçam que as condições de vida das mulheres são influenciadas por diferentes fatores e que os desafios variam conforme território, raça, renda, acesso a serviços públicos e participação social. Para a Tewá 225, o índice pode servir como instrumento para identificar essas desigualdades e orientar a elaboração de políticas públicas com base em evidências.
(Redação ONG News)
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