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“Se hoje estou aqui, só devo a Dandara, só devo a Zumbi!”. Essa frase marcou minha presença em uma das primeiras manifestações que participei. Era 2005, fazia muito calor em Brasília e movimentos negros diversos ocupavam a Esplanada dos Ministérios, no coração da capital federal. A Marcha Zumbi+10 (que leva esse nome por ter acontecido 10 anos depois da emblemática Marcha Zumbi, com mais 30 mil pessoas na mesma Esplanada) deixou evidente a importância da figura de Zumbi dos Palmares e de uma data como o Dia da Consciência Negra.
Anos antes, em 1988, durante a Marcha Negra no Centro do Rio de Janeiro, Lélia Gonzalez lembrava a força de Zumbi e seu apagamento histórico. Ali, Lélia dizia que o líder do Quilombo dos Palmares foi o “grande líder do primeiro estado livre de todas as Américas” e foi justamente por sua força e importância, que Zumbi acabou por se tornar um “herói nacional liquidado pela traição das forças colonialistas”. Fatos extremamente relevantes, mas que “não ensinam na escola”.
O tempo passou, algumas conquistas foram alcançadas e o 20 de novembro chegou para contrapor o 13 de maio – data de uma falsa abolição e do enaltecimento da princesa Isabel, figura hipervalorizada no processo abolicionista graças à narrativa da branquitude. O 20 de novembro também virou feriado, triunfo importante, mas que ainda não acontece em todo Brasil.
Na maior parte do país, a data ainda passa em branco, sendo marcada por eventos políticos-culturais, enaltecendo de maneira rasa a figura de Zumbi de Palmares e a cultura negra. Como jornalista, sinto que o 20 de novembro acaba servindo mais para pautar a imprensa, focada em reportagens que envolvem pessoas negras no famoso “Novembro Negro”. Como bem pontuou a atriz e cantora Jéssica Ellen, ela ( e a gente) é preta o tempo todo, dessa maneira, podem nos contratar de janeiro a dezembro também.
Em resumo: tudo isso é pra dizer que o reconhecimento do Dia da Consciência Negra é um avanço importante, entretanto, queremos mais! Queremos a data como um verdadeiro feriado nacional para que no dia 20 de novembro de cada ano, o Brasil se lembre quem foi Zumbi, Dandara e outros tantos ancestrais que incansavelmente lutaram por liberdade.
Sei também que feriado não é sinônimo de descanso para muita gente, sobretudo, para gente preta e pobre. Contudo, por mais que a força negra esteja trabalhando no feriado – que tanto se almeja -, que este labor seja combustível para motivar a luta contra o racismo e as desigualdades de salários e oportunidades, e para que seja um dia-lembrete, evocando a urgência de o Brasil se tornar uma verdadeira democracia, assim como Lélia desejou naquela marcha do centenário da abolição.
Texto de Maíra de Deus Brito
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