Campanha Busão 0800 pressiona Congresso pela criação do “SUS da Mobilidade”


*Carmela Zigoni
Depois de um longo período de retrocessos, as políticas destinadas a proteger, realizar e promover os direitos da mulher voltam a ganhar vigor. O Dia Internacional da Mulher representa uma oportunidade significativa para revisitar o desmonte ocorrido com essas políticas nos últimos anos e avaliar os esforços empreendidos atualmente para resgatar o avanço na garantia dos direitos das mulheres.
O governo Bolsonaro extinguiu o programa específico para mulheres do PPA 2020-2023, e oscilou entre baixa alocação ou baixa execução do recurso previsto em ações orçamentárias para enfrentamento a violência e construção das casas da mulher brasileira. E mais: no ano mais grave da pandemia da Covid-19, em 2020, quando as regras para licitações e contratos foram flexibilizadas, o Ministério da Família, da Mulher e dos Direitos Humanos, liderado pela atual Senadora Damares, só gastou 29,45% dos recursos autorizados. Na ocasião, as mulheres, mais do que nunca, precisavam do apoio do Estado, uma vez que suas condições de vida pioraram de um modo geral e também porque a violência doméstica aumentou, já que muitas meninas e mulheres tiveram que fazer o isolamento social com os agressores.
Após o período mais crítico da pandemia, observou-se uma pequena redução na taxa de feminicídio, de 2,4% de acordo com o Atlas da Violência (2021), mas houve crescimento de 3,7% na taxa de estupros. Em 2022, no entanto, ainda segundo o Atlas, registrou-se novo aumento do feminicídio, de 5% em relação ao ano anterior.
Nesse contexto de aumento da violência contra a mulher, em 2021, o orçamento reduziu 45% se comparado a 2020, e 17% quando comparado com 2019. Em 2022, a diminuição dos recursos autorizados em relação a 2021, foi de 32%.
Para 2023, o governo de Jair Bolsonaro previu somente R$ 13 milhões no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para o enfrentamento a violência contra as mulheres, o pior orçamento dos últimos anos para essa pauta.
A equipe do presidente Lula mudou o rumo das políticas para as mulheres: aumentou a verba disponível para 2023, totalizando R$ 152 milhões, 11 vezes mais do que o originalmente previsto pelo governo anterior. A execução financeira foi de R$ 83,7 milhões o empenho foi de R$ 146,6 milhões, respectivamente, 55% e 96% do recurso autorizado.
Outro passo importante foi a criação do Ministério das Mulheres, que trouxe novo fôlego para essa política pública. Em 2023, coube à ministra Aparecida Gonçalves coordenar a estruturação deste órgão, além de atuar na construção do novo Plano Plurianual (PPA 2024-2027), que criou três programas específicos para o enfrentamento da violência contra as mulheres, promoção da autonomia e acesso aos espaços de poder.
Além disso, em 2023, pautas defendidas pelo Ministério das Mulheres foram aprovadas no Legislativo, como é o caso da Lei Nº 14.611/23, de autoria da Ministra Aparecida Gonçalves, que tornou obrigatória a equiparação de salários entre homens e mulheres.
Para 2024, o recurso autorizado é uma sinalização importante para as mulheres, um valor total de R$370,5 milhões a serem executados pelo Ministério das Mulheres, distribuídos entre o enfrentamento da violência, a promoção da autonomia, o acesso aos espaços de poder, e o fortalecimento do controle social.
Soma-se a este esforço as contribuições do Ministério da Justiça (MJ), do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) com ações orçamentárias específicas para mulheres. A participação dessas pastas na promoção dos direitos da mulher concretiza, em parte, o marco dos orçamentos sensíveis ao gênero, ou seja, todos os temas e políticas públicas devem antecipar impactos na vida das mulheres.
Neste 8 de março, podemos comemorar a retomada das políticas para as mulheres. Infelizmente, ainda estamos longe de superar a violência, a misoginia e o racismo.
*Assessora Política do Inesc
Fonte: Carta Capital
Campanha Busão 0800 pressiona Congresso pela criação do “SUS da Mobilidade”
Ferramenta gratuita abre acesso para OSCs medirem impacto ESG
Último dia para garantir lote promocional do FIFE 2027
ONG aplica lógica do mercado financeiro na gestão de projetos educacionais

11 3251-4482
redacao@ongnews.com.br
Rua Manoel da Nóbrega, 354 – cj.32
Bela Vista | São Paulo–SP | CEP 04001-001