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Fundado pelo ex-diretor do Banco Central Luiz Fernando Figueiredo, o Instituto Fefig completa oito anos de atuação com presença em diferentes estados e um modelo que busca aproximar práticas do mercado financeiro da gestão de projetos na educação pública. A organização atua principalmente na alfabetização de crianças da rede pública, com foco em territórios mais vulneráveis.
Criado após a saída de Figueiredo do mercado financeiro, o instituto se consolidou com uma estrutura enxuta e atuação voltada à melhoria da qualidade da educação básica. “Quando você olha um país como o Brasil, muito desigual, praticamente todo projeto social tem um mérito. Mas acredito que a área de educação tem um peso maior, porque ajuda o presente e, principalmente, o futuro”, afirma.

No Fefig, a lógica é orientada por dados e resultados. Impacto, escala e eficiência são critérios centrais na condução dos projetos. “As pessoas do mercado financeiro pensam sempre com objetividade. Se a criança está aprendendo mais, estamos no caminho certo. Se não está, alguma coisa está errada, e precisamos revisitar nossos processos”, diz.
A atuação da organização não se baseia na criação de iniciativas próprias, mas na identificação e expansão de projetos educacionais já testados e com bons resultados. A estratégia é levá-los para redes públicas de ensino, sem foco em autoria. “Queremos que funcione mesmo”, afirma.
O instituto atua prioritariamente em estados do Norte e Nordeste, em municípios com indicadores educacionais abaixo das metas nacionais. O trabalho inclui apoio técnico às secretarias de educação, formação de professores, acompanhamento de indicadores e implementação de metodologias voltadas à alfabetização e à primeira infância.
Os projetos têm duração média de três a quatro anos — tempo considerado suficiente para que as práticas sejam incorporadas pelas redes. O processo inclui apoio para identificar e estruturar as mudanças necessárias. Depois, a organização se retira da operação direta e passa a monitorar os resultados e o impacto à distância, avaliando a necessidade de novas intervenções.
A estratégia de atuação foi ajustada ainda nos primeiros anos, após o entendimento de que iniciativas diretas com alunos tinham alcance limitado. “Eu aprendi que o melhor investimento é o setor público, pois é uma área que recebe bilhões com educação. No entanto, ele pode funcionar melhor, e é essa nossa missão”, lembra.
O acompanhamento dos resultados combina análise de dados e presença nos territórios. Segundo Figueiredo, os indicadores nem sempre refletem toda a realidade, que envolve desafios sociais mais amplos. “A gente mede tudo, mas também precisa estar no território, falar com as pessoas e saber se o impacto é real mesmo”, diz.
Atualmente, o Instituto Fefig alcança mais de 100 mil estudantes em diferentes regiões do país. Para o fundador, além dos números, o principal resultado está na mudança de perspectiva dos alunos. Ele relembra o relato de uma criança que, ao ouvir que melhorar a escola seria “enxugar gelo”, respondeu: “Tia, mas eu não sou um gelo!”
O instituto leva o nome de Luiz Felipe Figueiredo, filho do fundador, que faleceu aos 23 anos, vítima de câncer, em 2017. A organização foi inaugurada em 13 de abril de 2018, data em que ele completaria 24 anos.
Oito anos depois, a iniciativa que começou como um projeto pessoal ganhou escala e se consolidou como uma estrutura voltada à educação pública. “A gente quer ser uma semente. Que isso cresça e vá muito além da gente.”
(Por Adriana Silva, para o ONG News)
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