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Por Adriana Souza Silva (*)
O 12 de junho vai muito além de uma data para celebrar os casais enamorados. Doze de junho é o Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil – ocasião importantíssima para lembrar de uma mazela que há décadas persiste na sociedade brasileira. Segundo o IBGE, quase 2 milhões de crianças e adolescentes, entre 5 e 17 anos, estão em situação de trabalho infantil no País. Embora algumas pessoas possam conhecer indivíduos que justificam o fato de terem “vencido na vida” porque começaram a trabalhar desde pequeno, é fundamental explicar o quanto essas histórias não são tão reais quanto parecem.
O argumento de que é preferível uma criança trabalhar vendendo bala com a família no farol a ficar usando drogas esconde a incapacidade do Poder Público e de toda a sociedade de apresentá-las outras opções que não as ruas ou o vício. Lugar de criança e adolescente é na escola de qualidade, no lar com afeto e no lazer com segurança. Só boas opções valem para a infância e o trabalho infantil, definitivamente, não faz parte dessa lista. Confira abaixo 7 argumentos sobre o porquê dizer não e denunciar o trabalho infantil:
1. Prejuízos à Educação
Crianças que trabalham têm menos tempo e energia para se dedicar aos estudos, o que compromete seu desempenho escolar e muitas vezes leva ao abandono da escola. A educação é essencial para o desenvolvimento pessoal e profissional a longo prazo. Sem educação, as chances de ascensão social, aprendizagem para vida e conquista de boas oportunidades profissionais diminuem consideravelmente.
2. Impactos na Saúde Física e Mental
O trabalho infantil pode causar sérios danos à saúde física e mental das crianças. A exposição a ambientes insalubres, jornadas extenuantes e tarefas perigosas pode resultar em lesões, doenças e estresse psicológico. Esses danos podem ter consequências duradouras, afetando o desenvolvimento integral da criança.
3. Violação de Direitos Fundamentais
Trabalhar desde cedo viola os direitos fundamentais das crianças, como o direito à educação, ao lazer e ao desenvolvimento em um ambiente seguro e saudável, conforme estabelecido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e pela Convenção sobre os Direitos da Criança da ONU. Toda criança tem o direito de se desenvolver plenamente, livre de exploração e abuso.
4. Ciclo de Pobreza
O trabalho infantil perpetua o ciclo de pobreza, uma vez que as crianças que não completam sua educação têm menos oportunidades de obter empregos de qualidade no futuro. A falta de qualificação profissional as mantém em trabalhos mal remunerados, perpetuando a pobreza e a desigualdade social.
5. Desenvolvimento Incompleto
A infância é uma fase crucial para o desenvolvimento emocional, social e cognitivo. O trabalho precoce impede que as crianças aproveitem essa fase plenamente, limitando suas oportunidades de brincar, aprender e interagir socialmente – experiências são fundamentais para o desenvolvimento de habilidades sociais e emocionais.
6. Responsabilidade e Valores
Aprender a ter responsabilidade e valores não precisa estar associado ao trabalho infantil. Essas habilidades podem ser desenvolvidas por meio de atividades escolares, esportes, tarefas domésticas apropriadas para a idade e outras formas de participação comunitária que não coloquem em risco o bem-estar das crianças. A escola e a família são os ambientes ideais para ensinar esses valores.
7. Exceções não Justificam a Regra
Embora existam casos de pessoas que atribuam seu sucesso ao trabalho infantil, esses são exceções e não representam a realidade na maioria das vezes. As crianças que trabalham dificilmente alcançam todo seu potencial de desenvolvimento, se comparadas aquelas que são estimuladas adequadamente pelo lazer, afeto e segurança. Além disso, nada garante que o fato de uma pessoa ter trabalhado desde cedo seja o real motivo do seu dito sucesso hoje. É importante focar em soluções que ofereçam igualdade de oportunidades para todas as crianças, garantindo-lhes um futuro digno e promissor.
Use esses argumentos para explicar às pessoas a importância do combate ao trabalho infantil. O Brasil deve garantir às suas crianças oportunidades e condições dignas, sem desigualdade de gênero, cor, orientação sexual, renda etc. Todas precisam crescer e se desenvolver plenamente, livres de exploração e abuso. As opções não são a rua ou o trabalho, mas sim, a educação, somente ela permite a construção de uma sociedade mais justa e equitativa.
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(*) Adriana Souza Silva é jornalista e sócia-fundadora da Agência Pauta Social
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