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Conseguir financiamento internacional ainda parece, para muitas organizações brasileiras, um objetivo distante. No entanto, acessar recursos fora do país está longe de ser impossível — desde que as organizações entendam como funciona esse ecossistema e adaptem a forma de apresentar seus projetos.
Esse foi um dos principais pontos abordados no curso Captação de recursos internacionais, promovido pela Rede Filantropia e conduzido por Karina Isoton, especialista em Filantropia Internacional para Organizações do Terceiro Setor. Natural de Porto Alegre, ela vive nos Estados Unidos e atua apoiando organizações sociais na estruturação de estratégias para acessar oportunidades de financiamento no país.
Baseado nesses ensinamentos, o ONG News reuniu dicas de como iniciar esse processo. Confira a seguir.
Segundo Karina, um dos primeiros desafios está em compreender que o modelo de filantropia no exterior — especialmente nos Estados Unidos — difere do contexto brasileiro.
Enquanto no Brasil o terceiro setor ainda mantém forte relação com o poder público, nos EUA a filantropia está mais conectada ao ambiente corporativo e a iniciativas privadas.
Essa diferença impacta diretamente a forma como projetos devem ser apresentados. Não se trata apenas de traduzir conteúdos, mas de adaptar o storytelling e alinhar a proposta às expectativas dos financiadores. Isso exige compreender o contexto cultural, econômico e político do país e da instituição apoiadora.
A comunicação precisa ser estratégica e objetiva. Para financiadores internacionais, não basta apresentar uma causa relevante — é essencial demonstrar, de forma concreta, o impacto gerado.
A recomendação é evitar descrições amplas e apostar em exemplos claros: quem foi beneficiado, como e quais resultados foram alcançados. Sempre que possível, sintetize essas informações em um ou dois parágrafos.
Além disso, é importante ter respostas bem definidas para perguntas-chave:
Financiadores internacionais, em geral, não enxergam os grants como solução para sustentar uma organização, mas como forma de potencializar iniciativas que já demonstram resultados e consistência.
A sustentação das propostas com dados é um fator decisivo. Demonstrar experiência, apresentar resultados e evidenciar histórico de atuação aumentam a credibilidade diante de financiadores.
Outro ponto essencial é a presença digital. Sites atualizados, redes sociais consistentes e transparência institucional são frequentemente avaliados. A coerência entre discurso e prática pode influenciar diretamente a decisão de apoio.
A disputa por recursos internacionais é alta. Enquanto o Brasil conta com cerca de 890 mil organizações da sociedade civil, os Estados Unidos possuem aproximadamente 1,9 milhão de organizações sem fins lucrativos.
Além disso, algumas áreas — como religião, educação e serviços humanos — tendem a concentrar maior concorrência. Por isso, é fundamental destacar o diferencial da organização de forma clara e objetiva.
As oportunidades não se limitam às grandes fundações internacionais. Muitas empresas possuem institutos ou fundações próprias que oferecem programas de apoio.
Uma estratégia prática é pesquisar o nome de empresas aliado a termos como “foundation”, “grants” ou “social impact”, ampliando as chances de identificar potenciais financiadores.
Também é importante alinhar o perfil do projeto ao tipo de financiador. Iniciativas mais específicas, como aquelas voltadas à inclusão de pessoas com deficiência, tendem a encontrar maior aderência em fundações familiares ou privadas com foco temático definido.
A abordagem a potenciais apoiadores deve ser cuidadosa, objetiva e respeitosa. Mensagens longas ou pouco estruturadas podem comprometer o primeiro contato.
Clareza, organização e objetividade são fundamentais. Além disso, insistência excessiva pode ter efeito negativo e prejudicar futuras oportunidades de relacionamento.
A principal mensagem é clara: acessar recursos internacionais é possível, mas exige preparo.
Desde a etapa inicial, é importante dedicar atenção à documentação. Uma carta de intenção bem estruturada — geralmente com até duas páginas — deve apresentar de forma clara o propósito do projeto. Em etapas posteriores, propostas completas costumam ter entre sete e dez páginas, detalhando objetivos, resultados esperados e orçamento.
Com planejamento, consistência e estratégia, a captação internacional pode deixar de ser exceção e se tornar uma frente concreta de fortalecimento para organizações da sociedade civil no Brasil.
*Por Fernanda Lagoeiro
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