Apoio a refugiados segue estável 75 anos após Convenção


Com mais de 160 empresas comprometidas com a transição para ovos livres de gaiolas e uma crescente valorização de práticas ligadas ao bem-estar animal dentro dos critérios ESG, a agenda entra em uma nova etapa no Brasil. Esse movimento acontece em um momento de forte expansão da avicultura de postura: nos últimos dez anos, a produção nacional de ovos cresceu 58%, enquanto o consumo aumentou 51%, alcançando o recorde de 62,3 bilhões de unidades produzidas em 2025. Nesse cenário, o principal desafio deixa de ser a adesão a novos compromissos e passa a ser a criação de condições para ampliar a oferta de ovos livres de gaiolas, fortalecer a cadeia produtiva e viabilizar essa transição em escala.
É o que mostra a terceira edição do Observatório do Ovo, levantamento anual da Alianima que acompanha a evolução da transição para ovos cage-free nas principais redes supermercadistas do país. Embora o levantamento mostre que o ritmo da transição ainda está abaixo do esperado em boa parte das empresas, ele também evidencia que o setor já possui experiências capazes de indicar caminhos para acelerar esse processo. Redes supermercadistas que ampliaram sua participação de ovos livres de gaiolas ao longo dos últimos anos demonstram que a evolução é possível quando há envolvimento das lideranças, planejamento, diálogo com fornecedores e desenvolvimento da cadeia de abastecimento.
“O debate sobre ovos livres de gaiolas entrou em uma nova etapa. Hoje, o desafio não é mais convencer o mercado sobre a importância da transição, mas criar condições para que ela aconteça de forma consistente, previsível e em escala. Isso exige um esforço conjunto entre redes supermercadistas, produtores, associações e demais agentes da cadeia”, afirma Maria Fernanda Martin, zootecnista e gerente de bem-estar animal da Alianima — organização de proteção animal sem fins lucrativos, que trabalha em estreita colaboração com líderes da indústria alimentícia para identificar e abordar os principais desafios enfrentados pela cadeia de produção animal.
O Observatório também mostra que algumas empresas já completaram a transição, e hoje todos os ovos vendidos são cage-free. Outras vêm conseguindo ampliar gradualmente a participação de ovos livres de gaiolas em suas operações. Casos como os do Oba Hortifruti, que chegou em 85% de transição, e do Assaí, atacadista com a maior participação de ovos livres de gaiolas entre os maiores players do mercado, indicam que a transição é possível.
Benefícios já são percebidos pelas empresas
O levantamento mostra que as empresas que vêm avançando na adoção de ovos livres de gaiolas já identificam ganhos concretos decorrentes dessa decisão. A percepção positiva da marca junto aos consumidores aparece como o principal benefício da transição, citada por 78% das empresas participantes. Em seguida, destacam-se a promoção de melhores condições de bem-estar para as aves (67%), a melhoria dos indicadores ESG (56%) e o fortalecimento das práticas de compliance (33%). Nenhuma empresa afirmou não perceber aspectos positivos relacionados à adoção do sistema cage-free.
Na avaliação da especialista, esses resultados mostram que a transição deixou de ser encarada apenas como uma agenda de responsabilidade socioambiental, e passou a integrar a estratégia de negócios de muitas empresas, contribuindo para fortalecer sua reputação, reduzir riscos e atender às expectativas de consumidores, investidores e demais stakeholders.
Gargalos continuam concentrados na cadeia de abastecimento
Se, por um lado, os benefícios já são percebidos pelas empresas que avançam na agenda, por outro, a expansão desse mercado ainda esbarra em obstáculos estruturais que exigem ações coordenadas entre toda a cadeia produtiva.
O principal deles segue sendo o custo. Cerca de 67% das empresas apontam os custos de aquisição dos ovos livres de gaiolas como o maior obstáculo para ampliar sua participação nas gôndolas. Em seguida aparecem a baixa familiaridade dos consumidores com o tema e as dificuldades de abastecimento em determinadas regiões do país, fatores mencionados por 44% das empresas.
“Os desafios identificados mostram que não existe uma solução única. A ampliação da oferta passa por planejamento, previsibilidade e diálogo. Quanto maior a segurança para quem produz, maiores tendem a ser os investimentos e a capacidade de abastecer o mercado”, ressalta a porta-voz.
Coordenação entre varejo e produtores será decisiva
Entre as recomendações apresentadas está o fortalecimento da articulação entre supermercados e seus fornecedores. A especialista defende que contratos mais previsíveis, planejamento de longo prazo e uma comunicação mais próxima entre os diferentes elos da cadeia podem contribuir para reduzir incertezas e estimular novos investimentos por parte dos produtores.
Outro ponto destacado é a importância de ampliar mecanismos de financiamento e linhas de crédito voltadas à adaptação dos sistemas produtivos. Como a migração para modelos livres de gaiolas exige investimentos em infraestrutura e manejo, instrumentos financeiros adequados podem acelerar a expansão da oferta e reduzir gargalos de abastecimento.
Além disso, ela da mesma forma ressalta que o varejo também exerce papel estratégico na comunicação com o consumidor. Informações claras no ponto de venda, ações educativas e maior transparência sobre as características dos diferentes sistemas de produção podem contribuir para ampliar o conhecimento do público e fortalecer a demanda por ovos produzidos em melhores condições de bem-estar animal.
“A transição depende de uma cadeia coordenada. Quando o supermercado sinaliza demanda de longo prazo, o produtor ganha mais segurança para investir. Ao mesmo tempo, informar melhor o consumidor ajuda a fortalecer esse mercado e tornar a mudança economicamente viável para todos.”, conclui.
Clique aqui para acessar a 3ª edição do Observatório do Ovo
—
Sobre a Alianima – A Alianima é uma organização de proteção animal sem fins lucrativos, que trabalha em estreita colaboração com líderes da indústria alimentícia para identificar e abordar os principais desafios enfrentados pela cadeia de produção animal. A organização oferece parcerias, consultorias e suporte técnico gratuito às empresas comprometidas em melhorar as condições de vida dos animais, auxiliando na implementação de práticas sustentáveis e de bem-estar animal. Com uma equipe especializada, fundamenta todas as suas ações e materiais em dados técnico-científicos, com o objetivo de fomentar uma indústria mais atenta e preocupada com o sofrimento animal e um consumidor mais informado sobre a origem de seus alimentos.
Saiba mais em:alianima.org | observatorioanimal.com.br
Apoio a refugiados segue estável 75 anos após Convenção
Instituto Sabin lança guia de empreendedorismo na Amazônia
Pesquisa mostra persistência da violência contra crianças no país
Levantamento mostra desconhecimento de direitos entre mulheres negras

11 3251-4482
redacao@ongnews.com.br
Rua Manoel da Nóbrega, 354 – cj.32
Bela Vista | São Paulo–SP | CEP 04001-001