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Uma nova pesquisa global da Ipsos, divulgada em parceria com o ACNUR (Agência da ONU para Refugiados), mostra que o apoio público às pessoas refugiadas permanece estável em todo o mundo, mesmo diante de anos de turbulência política e de debates polarizados sobre deslocamento. No Brasil, o levantamento aponta um país particularmente favorável ao acolhimento: a maioria dos entrevistados acredita que refugiados devem poder buscar proteção no país e que serão bem integrados à sociedade.
Apoio global estável, com ressalvas
Segundo o relatório, 66% dos entrevistados em 29 países concordam que pessoas que fogem de guerras ou perseguições devem poder buscar proteção em outro país — um ponto percentual a menos que em 2025 e em linha com os níveis pré-pandemia. Os dados indicam que a oposição à proteção de refugiados não é a tônica predominante; em vez disso, as preocupações se concentram nos sistemas de asilo, na gestão de fronteiras e nos processos de integração.
“As pessoas continuam a apoiar a proteção daquelas pessoas que são forçadas a fugir. Isso não mudou muito”, afirma Trinh Tu, Diretora-Geral da Ipsos Reino Unido. “Mas muitos questionam como a proteção a refugiados funciona na prática e se os sistemas são justos.”
Brasil entre os países mais receptivos
Os dados brasileiros mostram uma sociedade mais aberta ao acolhimento do que a média global. O país aparece como o mais propenso a manter fronteiras abertas para pessoas em busca de proteção, com 61% de concordância, e lidera o ranking de confiança na integração bem-sucedida de refugiados na sociedade. O Brasil também registra um dos menores índices entre os países pesquisados — 49% — quanto à percepção de que pedidos de refúgio seriam motivados por interesses econômicos em vez de perseguição real.
Para Davide Torzilli, Representante do ACNUR no Brasil, o resultado reflete a trajetória do país. “O Brasil acolhe pessoas em necessidade de proteção internacional de mais de 150 países, e isso reflete a diversidade da própria sociedade brasileira”, afirma.
Diferenças entre gerações e expectativas sobre financiamento
O levantamento também identificou uma divisão geracional: 49% da Geração Z acredita que refugiados se integrarão com sucesso, contra 39% dos Baby Boomers. Os mais jovens também demonstraram menor propensão a apoiar o fechamento de fronteiras.
Com a redução do financiamento humanitário global, a pesquisa aponta uma expectativa crescente de que a responsabilidade pelos refugiados seja compartilhada entre governos, organismos internacionais e ONGs. No Brasil, 25% dos entrevistados esperam que ONGs assumam papel mais relevante nesse cuidado, índice acima da média global.
“É encorajador que o apoio à proteção a refugiados permaneça sólido”, diz Dominique Hyde, Diretora de Relações Externas do ACNUR. “O público ainda apoia amplamente os princípios da Convenção sobre o Estatuto dos Refugiados, estabelecida há 75 anos.”
Metodologia
A pesquisa ouviu 21.521 adultos em 29 países entre 24 de abril e 8 de maio de 2026. No Brasil, foram entrevistadas 1.000 pessoas, com perfil mais urbano, escolarizado e afluente que a média da população geral. Os resultados refletem médias nacionais e não constituem estimativas globais ponderadas pela população.
Acesse o relatório aqui.
(Redação ONG News)
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