Museu das Favelas recebe edição especial da Festa de Favela


*Rosemary Domingues Suzuki
No dia 28 de agosto, o Brasil celebra o Dia Nacional do Voluntariado, instituído pela Lei nº 7.352, de 1985, para reconhecer as pessoas que dedicam seu tempo, conhecimento e energia a causas de interesse coletivo. Mais do que uma data comemorativa, esse momento convida à reflexão sobre o papel do voluntariado na construção de uma sociedade mais solidária, participativa e comprometida com o bem comum.
O trabalho voluntário é uma das formas mais concretas de exercício da cidadania. Em um país que convive com desafios sociais complexos, a participação de cidadãos em iniciativas voltadas ao fortalecimento das comunidades, à promoção da inclusão e ao apoio a pessoas em situação de vulnerabilidade torna-se um importante complemento às políticas públicas e às ações realizadas pelo poder público e pelas organizações da sociedade civil.
Os dados mostram que o voluntariado faz parte da trajetória de muitos brasileiros. Pesquisa da Datafolha, divulgada pelo Observatório do Terceiro Setor, revelou que 57% dos brasileiros afirmam já ter realizado alguma atividade voluntária em algum momento da vida. Esse resultado demonstra que a solidariedade está presente na sociedade brasileira e que existe um importante potencial para ampliar ainda mais a participação cidadã por meio do voluntariado.
As organizações da sociedade civil conhecem bem o valor dessa atuação. Instituições que trabalham com educação, assistência social, inclusão, saúde, cultura, esporte e desenvolvimento comunitário frequentemente contam com a participação de voluntários para ampliar o alcance de suas ações. Além da contribuição prática nas atividades desenvolvidas, os voluntários compartilham experiências, conhecimentos profissionais e diferentes perspectivas que podem fortalecer iniciativas sociais e contribuir para a geração de impacto positivo nas comunidades.
Mas os benefícios do voluntariado não se limitam às organizações e aos públicos atendidos. Diversos estudos apontam que a participação em atividades voluntárias também está associada a resultados positivos para os próprios voluntários. Pesquisas conduzidas por Thoits e Hewitt (2001), Jenkinson et al. (2013) e Kim et al. (2020) identificaram associações entre o trabalho voluntário e indicadores como satisfação com a vida, fortalecimento das relações sociais, senso de propósito e bem-estar. Embora o voluntariado não substitua políticas ou ações voltadas à promoção da saúde mental, ele pode contribuir para o desenvolvimento de vínculos sociais significativos e para uma maior percepção de pertencimento à comunidade.
Outro aspecto importante é que o engajamento voluntário pode começar de diversas formas. Muitas pessoas têm seu primeiro contato com a solidariedade por meio de campanhas de arrecadação, eventos beneficentes ou ações comunitárias. Essas experiências, ainda que pontuais, têm grande valor porque aproximam os cidadãos das causas sociais e podem despertar o interesse por uma participação mais frequente. Por isso, todas as formas de engajamento merecem reconhecimento e incentivo.
Na minha avaliação, fortalecer a cultura do voluntariado deve ser um compromisso compartilhado por toda a sociedade. Empresas podem estimular a participação de seus colaboradores em ações sociais; escolas e universidades podem promover experiências que desenvolvam cidadania e empatia; organizações da sociedade civil podem criar espaços acolhedores para novos voluntários; e cada indivíduo pode refletir sobre como suas habilidades e conhecimentos podem contribuir para melhorar a realidade ao seu redor.
No Dia Nacional do Voluntariado, vale celebrar quem já dedica parte do seu tempo a promover mudanças positivas na vida de outras pessoas. Mais do que isso, vale lembrar que a construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e solidária depende da participação de todos. Afinal, quantas transformações poderiam acontecer se mais pessoas descobrissem que algumas horas doadas, um conhecimento compartilhado ou um simples gesto de apoio podem fazer a diferença na vida de alguém?
*Rosemary Domingues Suzuki é Gerente de Projetos Sociais no Instituto IBGPEX/Uninter. Atua em iniciativas relacionadas à aprendizagem profissional, inclusão produtiva de jovens, voluntariado corporativo e desenvolvimento humano no contexto do ESG Social.
Museu das Favelas recebe edição especial da Festa de Favela
IDIS promove 15º Fórum de Filantropos com Conceição Evaristo
Instituto KondZilla debate clima e memória em aulão gratuito
Organização social aposta no psicodrama para formar voluntários

11 3251-4482
redacao@ongnews.com.br
Rua Manoel da Nóbrega, 354 – cj.32
Bela Vista | São Paulo–SP | CEP 04001-001