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Em Águas da Prata (SP), um projeto tem chamado atenção pela forma como conecta crianças, livros e tecnologia em um mesmo espaço. A Biblioteca Traquinagem funciona como uma biblioteca infantil ampliada: além do acervo físico, o local oferece kindles, tablets com jogos literários, audiolivros e podcasts, distribuídos por um jardim onde as crianças escolhem como querem viver as histórias — lendo, ouvindo ou interagindo digitalmente.
O modelo surge em contraponto a um cenário nacional de escassez: o Brasil tem cerca de 203 milhões de habitantes e pouco mais de 6 mil bibliotecas públicas e comunitárias cadastradas no Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas, enquanto 63% das escolas públicas do país não possuem biblioteca — índice que se agrava em regiões periféricas e rurais.
Em Águas da Prata, cidade de 7,4 mil habitantes segundo o IBGE, o projeto atende tanto o público infantil do município quanto estudantes de escolas da zona rural, ampliando o acesso a equipamentos culturais para crianças que normalmente têm contato limitado com esse tipo de espaço.
Da escuta à autoria
A proposta não trata a tecnologia como concorrente da leitura, mas como aliada. Para Leila Vilhena, coordenadora do projeto, o objetivo foi criar novas formas de convivência entre livro, tela e natureza: “quando uma criança escuta um audiolivro deitada numa rede, cercada pela natureza, ela está vivendo uma experiência literária tão potente quanto a leitura tradicional”, afirma.
O nome do espaço vem da Rádio Traquinagem, podcast infantil criado em 2021 e finalista do Prêmio Jabuti, que já era referência em mediação de leitura antes da biblioteca existir. No projeto, as próprias crianças escrevem, gravam e editam episódios — uma lógica de protagonismo que, segundo Vilhena, muda a relação delas com a literatura: “quando a criança entende que também pode criar histórias, contar o que pensa e participar ativamente da produção cultural, ela passa a enxergar a literatura como um espaço de pertencimento”.
Impacto em sala de aula
O efeito também é sentido dentro das escolas. O professor Lucas Ailton da Cruz Crivelari levou seus alunos a participar do projeto “Guardiões da Floresta Sonora”, iniciativa que usa paisagens sonoras para tratar de temas ambientais. Segundo ele, os momentos de escuta — como o contraste entre os sons de uma floresta viva e de uma floresta em chamas — despertaram reflexões concretas sobre os impactos dos incêndios florestais e fortaleceram vínculos coletivos entre os estudantes.
“É uma experiência educativa transformadora, que valoriza a voz da criança, desperta a criatividade, fortalece vínculos e aproxima os alunos de temas fundamentais através de uma proposta lúdica, humana e inovadora”, resume o professor.
A Rádio Traquinagem conta atualmente com apoio da Prefeitura Municipal de Águas da Prata e patrocínio da Neoenergia.
Como acompanhar
Mais informações sobre o projeto podem ser acompanhadas pelo perfil da Rádio Traquinagem no Instagram: instagram.com/radiotraquinagem.
(Redação ONG News)
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